Morte intrigante de fisioterapeuta leva polícia a investigar médico cardiologista

A morte da fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos, em Campo Grande, passou a ocupar o centro das atenções após a polícia encontrar contradições e detalhes que ainda não foram esclarecidos. O caso, registrado inicialmente como uma suspeita de suicídio, ganhou novos rumos conforme as investigações avançaram e revelaram situações consideradas incomuns pelos investigadores.
Fabiola foi encontrada sem vida dentro da chácara onde morava com o marido, o cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, localizada na região da Chácara dos Poderes. Segundo o relato apresentado à Polícia Militar, a manhã transcorria normalmente. O médico contou que a esposa realizava atividades rotineiras antes de subir para o quarto do casal.
De acordo com a versão apresentada por ele, a demora da companheira começou a causar estranheza. O cardiologista afirmou que tentou chamá-la diversas vezes, bateu na porta do quarto e também ligou para o celular dela, mas não obteve retorno. Pouco depois, relatou ter ouvido um disparo vindo do andar superior da residência.
Ao subir novamente até o quarto, encontrou Fabiola caída no chão, com um ferimento na cabeça provocado, possivelmente, por arma de fogo. A cena mobilizou equipes policiais e peritos ainda nas primeiras horas da ocorrência.
Com o avanço das apurações, porém, alguns pontos começaram a chamar atenção. Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, versões apresentadas durante os depoimentos iniciais não coincidiam totalmente. As divergências levaram a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) a ampliar a linha de investigação.
Outro detalhe considerado importante surgiu durante o trabalho da perícia. Conforme explicou o delegado Leandro Santiago, houve movimentação de armas e munições da residência principal para outro imóvel dentro da propriedade após a morte da fisioterapeuta. A transferência teria ocorrido por orientação do cardiologista e com auxílio de funcionários da chácara.
Durante as buscas realizadas no local, policiais apreenderam armas longas, munições e armamentos de uso permitido e restrito. A descoberta fez com que João Jazbik Neto fosse autuado por posse irregular de armas e também investigado por suspeita de fraude processual.
Apesar das suspeitas levantadas pelas autoridades, a defesa do médico nega qualquer participação dele na morte da esposa. Os advogados afirmam que ele está colaborando com as investigações e sustentam que ainda não há elementos conclusivos que apontem envolvimento direto no caso.
Enquanto isso, a Polícia Civil abriu um inquérito complementar para esclarecer o que realmente aconteceu naquela manhã. Os investigadores trabalham com diferentes hipóteses e aguardam resultados periciais, análise de depoimentos e outros laudos técnicos que podem ajudar a reconstruir os últimos momentos de Fabiola.
Casos cercados por versões contraditórias costumam gerar grande repercussão justamente porque levantam dúvidas difíceis de responder nos primeiros dias. Especialistas em investigação criminal apontam que detalhes aparentemente pequenos podem mudar completamente a interpretação de uma ocorrência.
Em Campo Grande, o caso segue cercado de perguntas. O que de fato aconteceu dentro da propriedade ainda é alvo de análise cuidadosa das autoridades. Até o momento, a polícia evita conclusões precipitadas e reforça que todas as possibilidades continuam sendo examinadas.
A expectativa agora gira em torno dos próximos resultados da investigação, que deverão indicar se a morte da fisioterapeuta foi resultado de um ato isolado ou se houve participação de terceiros. Até lá, o caso continua despertando atenção e acompanhando de perto pelos órgãos responsáveis.



