Morre Wellington Rainho, fundador do PSOL aos 66 anos

Wellington Rainho, um dos fundadores do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e referência histórica na defesa dos direitos humanos e da luta antimanicomial no Brasil, morreu na manhã deste sábado, 16 de maio, deixando uma trajetória marcada pela militância política e social. A notícia provocou forte comoção entre integrantes de movimentos populares, parlamentares, lideranças progressistas e antigos companheiros de jornada, que passaram a prestar homenagens nas redes sociais e em notas públicas. Reconhecido por sua atuação firme em pautas ligadas à democracia, justiça social e saúde mental, Rainho construiu uma carreira pautada pelo compromisso com causas coletivas e pelo enfrentamento de desigualdades estruturais no país.
Ao longo de décadas de militância, Wellington se consolidou como uma figura influente dentro do campo da esquerda brasileira. Sua participação foi decisiva na fundação do PSOL, legenda criada em 2004 a partir de uma dissidência do Partido dos Trabalhadores. Desde então, ele atuou diretamente na organização partidária e na formulação de estratégias voltadas à construção de um projeto político alternativo, baseado em princípios de participação popular, combate às desigualdades e fortalecimento das instituições democráticas. Para muitos correligionários, Rainho representava uma memória viva da construção política do partido e uma voz respeitada em debates internos.
Além da atuação partidária, Wellington Rainho teve papel relevante em pautas relacionadas à reforma psiquiátrica brasileira e à luta antimanicomial. Militantes e entidades ligadas à saúde mental destacaram sua contribuição para a defesa de um modelo de cuidado humanizado, centrado na dignidade das pessoas em sofrimento psíquico e na superação de práticas de exclusão historicamente associadas a instituições manicomiais. Companheiros de ativismo ressaltaram que ele transformou experiências pessoais e coletivas em ferramentas de mobilização social, contribuindo para ampliar o debate público sobre direitos, inclusão e cidadania.
Em nota oficial, o PSOL lamentou profundamente a morte de Wellington e ressaltou sua importância na consolidação da legenda ao longo das últimas décadas. O partido afirmou que Rainho dedicou sua vida à construção de um projeto político comprometido com a transformação social, democracia e defesa dos direitos humanos. A legenda também destacou que seu legado permanecerá presente nas lutas futuras e nas conquistas alcançadas por movimentos populares. O texto de despedida foi encerrado com uma frase simbólica frequentemente utilizada em homenagens a militantes históricos: “Wellington presente, hoje e sempre”.
A despedida será realizada neste domingo, 17 de maio, em Brasília. O velório ocorrerá das 8h30 às 10h30, na Capela 4 do Cemitério Campo da Esperança, localizado na Asa Sul. O sepultamento está previsto para as 11h, no mesmo local. Familiares, amigos, militantes e representantes de movimentos sociais devem comparecer à cerimônia para prestar as últimas homenagens. A expectativa é de que o momento reúna diferentes gerações de ativistas influenciados por sua trajetória e por sua dedicação à política e às causas sociais.
A morte de Wellington Rainho encerra um capítulo importante da história recente da esquerda brasileira, especialmente para setores ligados ao PSOL e aos movimentos de direitos humanos. Seu nome passa a integrar a memória política de uma geração que participou ativamente de debates fundamentais sobre democracia, inclusão social e políticas públicas de saúde mental. Mais do que um dirigente partidário, Rainho deixa a lembrança de alguém que enxergava a política como instrumento real de transformação coletiva — algo raro e cada vez mais disputado no mercado de opiniões instantâneas, onde às vezes há mais “especialista de rede social” do que compromisso de fato. Seu legado seguirá presente nas pautas e mobilizações que ajudou a construir ao longo da vida.



