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Morre Noca da Portela, ícone do samba, aos 93 anos

O samba brasileiro perdeu neste domingo um de seus nomes mais respeitados e históricos. Noca da Portela morreu aos 93 anos no Rio de Janeiro, após semanas internado por complicações de saúde. O compositor estava hospitalizado desde o fim de abril em uma unidade de saúde localizada em São Cristóvão, na Zona Norte da capital fluminense, com suspeita de pneumonia. Nos últimos dias, permanecia no Centro de Tratamento Intensivo (CTI), onde seguia sob acompanhamento médico.

Reconhecido como um dos grandes representantes da história da Portela e do samba carioca, Noca deixa um legado construído ao longo de décadas dedicadas à música popular brasileira. A confirmação da morte provocou forte comoção entre sambistas, admiradores e integrantes da escola de samba azul e branca de Madureira, que decretou luto oficial de três dias em homenagem ao artista.

Nascido em Minas Gerais, Noca da Portela se mudou ainda criança para o Rio de Janeiro, cidade onde construiu praticamente toda sua trajetória artística. Desde cedo demonstrou forte ligação com a música e buscou formação na área, estudando violão e teoria musical na Ordem dos Músicos do Brasil. Com o passar dos anos, se transformou em um dos compositores mais respeitados do universo do samba.

A relação com a Portela se tornou uma das marcas mais fortes de sua carreira. Segundo a própria escola, Noca passou a integrar oficialmente a ala de compositores no fim da década de 1960, após convite feito por Paulinho da Viola. A partir dali, seu nome passou a fazer parte de momentos históricos da agremiação.

Ao longo dos anos, o sambista assinou sambas-enredo que marcaram gerações e ajudaram a construir capítulos importantes da história da escola. Noca da Portela também ficou conhecido por vencer diversas disputas internas da agremiação, consolidando seu prestígio entre os compositores do carnaval carioca.

Além da atuação dentro da Portela, o artista teve músicas gravadas por grandes nomes da música brasileira. Entre suas composições mais conhecidas está “Virada”, eternizada na voz de Beth Carvalho e considerada até hoje um clássico do samba nacional. Sua obra atravessou décadas e influenciou diferentes gerações de músicos e intérpretes.

Mesmo já com idade avançada, Noca continuava ligado à produção cultural e musical. Em 2017, lançou o álbum “Homenagens”, projeto dedicado à própria Portela e carregado de referências à escola que marcou sua vida. Já em 2026, recebeu tributos no projeto “Coleção Flores Em Vida”, reunindo artistas brasileiros em celebração à sua trajetória.

Além da carreira artística, Noca também teve passagem pela vida pública. Em 2006, assumiu a Secretaria Estadual de Cultura do Rio de Janeiro durante o governo de Rosinha Garotinho. Dois anos depois, chegou a disputar uma vaga na Câmara Municipal do Rio de Janeiro pelo PSB, ampliando sua atuação além do universo cultural.

Após a confirmação da morte, a Portela publicou uma nota destacando a importância do sambista para a história da escola e para o samba brasileiro. A agremiação ressaltou que Noca foi um dos maiores vencedores de disputas de sambas-enredo da instituição e peça fundamental na preservação da identidade musical da escola.

Nas redes sociais, artistas, músicos e fãs lamentaram a perda do compositor. Muitos destacaram não apenas o talento musical de Noca, mas também sua simplicidade, elegância e dedicação ao samba. O nome do artista rapidamente passou a figurar entre os assuntos mais comentados por admiradores da cultura popular brasileira.

Até o momento, detalhes sobre velório e sepultamento ainda não haviam sido divulgados oficialmente pela família nem pela escola de samba. A expectativa é de que as homenagens ao compositor reúnam integrantes do carnaval carioca, artistas e personalidades ligadas à música brasileira.

Com a morte de Noca da Portela, o samba perde um de seus grandes guardiões. Sua trajetória deixa marcas profundas na cultura brasileira e reforça o tamanho de sua contribuição para a história da música popular do país.

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