Tenente-coronel acusado pela morte da esposa é denunciado por soldado da PM

A prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado pela morte da esposa, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, ganhou um novo desdobramento nos últimos dias. Uma denúncia apresentada por outra policial militar revela uma série de situações que, segundo ela, começaram muito antes do caso vir à tona e teriam causado medo e constrangimento dentro do ambiente de trabalho.
O documento, protocolado no fim de abril, aponta que a soldado teria sido alvo de insistentes tentativas de aproximação por parte do oficial. Ela afirma que os episódios ocorreram enquanto ambos atuavam no mesmo batalhão da Polícia Militar, em São Paulo.
De acordo com o relato, o primeiro contato mais direto aconteceu quando o comandante teria chamado a policial para uma conversa reservada e sugerido que ela assumisse a função de secretária particular dele. A situação, porém, teria ido além de uma simples proposta profissional. Segundo a denúncia, antes mesmo da resposta da soldado, o tenente-coronel já comentava com colegas sobre a possível mudança de função.
A policial diz que recusou o convite, mas afirma que o comportamento do superior continuou. Ainda segundo o documento, ele insistia em conversas pessoais, telefonemas e mensagens frequentes, além de demonstrar interesse constante pela rotina da soldado.
Com o passar do tempo, a situação teria ficado ainda mais desconfortável. A militar relata que decidiu pedir transferência para o patrulhamento de rua na tentativa de evitar novos contatos. Mesmo assim, afirma que o oficial continuou procurando maneiras de se aproximar.
Entre os episódios citados, está a visita inesperada do tenente-coronel à residência da policial. Em outra ocasião, ele teria levado flores até o local. A soldado relata que ficou surpresa ao perceber quem era o homem que a aguardava e preferiu se afastar imediatamente.
O documento também afirma que o oficial costumava procurar colegas próximas da policial para comentar sobre sua vida pessoal e dizer que estaria separado da esposa. Segundo a denúncia, Gisele Alves Santana chegou a procurar a soldado após tomar conhecimento das atitudes do marido.
A policial afirma que só decidiu formalizar a denúncia depois da repercussão do caso envolvendo a morte de Gisele. Ela diz que passou a enxergar as situações anteriores de outra forma após a prisão do comandante.
O caso envolvendo a soldado Gisele Alves Santana segue sendo investigado pela Justiça Militar e pelo Ministério Público. A policial, de 32 anos, foi encontrada sem vida em fevereiro, em um apartamento na região central de São Paulo. Inicialmente, a ocorrência havia sido registrada como suicídio, mas o rumo das investigações mudou após a análise de provas e depoimentos.
Atualmente, Geraldo Leite Rosa Neto responde por feminicídio e fraude processual. Ele permanece preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes desde março.
A defesa do oficial informou que ainda não teve acesso completo à nova denúncia apresentada pela soldado e afirmou não ter conhecimento detalhado sobre as acusações. Já a Corregedoria da Polícia Militar não comentou o caso até o momento.
O episódio continua repercutindo dentro e fora da corporação, principalmente pelo impacto das denúncias envolvendo hierarquia, comportamento dentro do ambiente militar e a relação entre superiores e subordinados. O caso também reacendeu debates nas redes sociais sobre a importância de canais seguros para denúncias e proteção às mulheres em ambientes profissionais.



