Morre o jornalista esportivo Aurino Leite, aos 51 anos

O jornalismo esportivo brasileiro se despediu, nesta sexta-feira, 24 de abril, de uma figura conhecida nos bastidores e nas redações: Aurino Leite, aos 51 anos. A notícia pegou colegas de surpresa e rapidamente se espalhou entre profissionais da área, especialmente no Rio de Janeiro, onde ele construiu praticamente toda a sua trajetória.
Aurino morreu em casa, em São Gonçalo, vítima de um mal súbito. Para quem convivia com ele, ficou o impacto de uma partida repentina, mas também a lembrança de alguém que sempre trouxe leveza ao ambiente de trabalho. Não era raro ouvir histórias de suas tiradas rápidas, comentários bem-humorados e observações certeiras sobre o dia a dia do futebol.
A carreira começou ainda nos anos 90, em 1997, no jornal “O Fluminense”, em Niterói. Era um período em que o jornalismo esportivo impresso ainda tinha grande força, com redações movimentadas e prazos apertados. Aurino cresceu nesse ambiente, aprendendo na prática, com aquela mistura de correria e paixão pelo noticiário esportivo.
Com o passar dos anos, acumulou passagens por veículos importantes, como “Jornal dos Sports”, “Diário Lance!”, “O Dia” e “Expresso”. Em cada lugar, deixou sua marca — seja na cobertura de clubes, na construção de pautas ou na convivência com colegas. Também fez parte do grupo que ajudou a fundar o portal JOGADA10, reforçando sua capacidade de adaptação a um jornalismo cada vez mais digital.
Mesmo sendo um torcedor assumido do Flamengo, Aurino teve uma atuação profissional ampla. Foi setorista de grandes clubes cariocas, com destaque para o Vasco no início dos anos 2000. Essa versatilidade sempre foi vista como uma de suas qualidades: sabia separar a paixão pessoal do compromisso com a informação.
A partir de 2012, passou a atuar mais diretamente como editor. Nesse novo papel, participou da criação de diversas capas marcantes, especialmente no “Diário Lance!” e no jornal “Meia Hora”, onde trabalhou mais recentemente. Quem já passou por redação sabe que a construção de uma capa exige olhar atento, criatividade e senso de timing — características que, segundo colegas, ele dominava bem.
Nos últimos anos, porém, Aurino enfrentava desafios de saúde. Problemas cardíacos, questões cervicais e insuficiência renal faziam parte de sua rotina, exigindo cuidados constantes e uso contínuo de medicamentos. Ele já havia passado por intervenções médicas importantes anteriormente, o que tornava sua situação delicada, embora continuasse trabalhando e mantendo o contato com a profissão que sempre valorizou.
Além do jornalista, fica a memória do pai e do irmão. Aurino deixa dois filhos e também o irmão Marcelo Leite, que segue na mesma área. Entre amigos e colegas, o sentimento é de respeito e gratidão por tudo que ele construiu ao longo de mais de duas décadas de trabalho.
Em nota, a equipe do JOGADA10 anunciou um período de luto e prestou solidariedade à família, destacando a importância de Aurino desde o início do projeto. Mensagens semelhantes se multiplicaram nas redes sociais, mostrando o alcance de sua presença no meio esportivo.
O velório está marcado para este domingo, às 10h, no Cemitério de São Gonçalo, com sepultamento previsto para o meio-dia. Será um momento de despedida, mas também de reconhecimento a uma trajetória feita com dedicação, humor e compromisso com o jornalismo.
No fim das contas, é assim que muitos querem ser lembrados: pelo trabalho bem feito e pelas histórias que deixam nos outros. Aurino, ao que tudo indica, conseguiu isso.



