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Homem cai de 80 metros em escalada e morre na frente da namorada na Bahia

A morte do escalador Igor Andreoni Barbabella, de 40 anos, natural de Minas Gerais, trouxe comoção e reflexão à comunidade de montanhismo. O caso ocorreu em uma área bastante conhecida entre praticantes de escalada, em Itatim, na Bahia, e segue sob investigação da Polícia Civil, que busca esclarecer as circunstâncias do ocorrido por meio de perícias técnicas.

Igor não estava sozinho. Ele escalava ao lado da companheira, que presenciou a queda. O relato dela, divulgado pela Associação de Escaladores de Itatim, ajuda a entender os momentos que antecederam o acidente. Segundo a nota, o casal subia uma via chamada “Lisbela e o Prisioneiro”, considerada de nível técnico intermediário a avançado, quando alguns sinais de instabilidade começaram a surgir.

Ainda na primeira enfiada — trecho que vai de um ponto de ancoragem a outro — a mulher relatou que uma agarra se soltou em suas mãos. Em seguida, uma pedra também se desprendeu enquanto Igor avançava na escalada. Apesar desses indícios, o guia responsável teria informado que aquele tipo de rocha apresentava melhora nas etapas seguintes do percurso. Com base nessa orientação, eles decidiram continuar.

O momento da queda foi descrito de forma breve, porém marcante. A companheira contou que ouviu Igor gritar por atenção e, logo depois, o viu passando ao seu lado em queda livre. Um detalhe chamou a atenção: segundo ela, não houve o impacto característico que normalmente é sentido pela corda em situações como essa. De acordo com seu relato, o equipamento teria se rompido.

A informação sobre o possível rompimento da corda ainda será analisada pelas autoridades. Especialistas destacam que esse tipo de ocorrência é considerado raro, já que as cordas utilizadas em escaladas são projetadas para suportar cargas elevadas e condições adversas. Por isso, a perícia deve avaliar fatores como desgaste do material, atrito com a rocha e possíveis falhas externas.

O resgate do corpo foi realizado na tarde seguinte ao acidente, em uma área de difícil acesso, marcada por vegetação densa e grande quantidade de rochas. Equipes do Corpo de Bombeiros precisaram abrir caminho até o local para garantir a segurança da operação. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) também participou da ocorrência, prestando suporte às equipes envolvidas.

Após o resgate, o corpo ficou sob responsabilidade da Polícia Militar até a chegada do Departamento de Polícia Técnica (DPT), encarregado dos procedimentos legais, incluindo a identificação oficial e a análise das circunstâncias da morte.

A Associação de Escaladores de Itatim informou que a companheira de Igor está recebendo apoio neste momento delicado. Em nota, a entidade também reforçou que novas informações serão compartilhadas com a comunidade assim que houver conclusões mais concretas, com o objetivo de contribuir para a segurança e prevenção de futuros acidentes.

O episódio reacende um debate importante sobre os riscos envolvidos em atividades de aventura. Mesmo com equipamentos modernos e preparo técnico, a escalada continua sendo uma prática que exige atenção constante, avaliação criteriosa das condições naturais e, sobretudo, prudência nas decisões.

A perda de Igor deixa não apenas familiares e amigos enlutados, mas também uma comunidade inteira em reflexão. Histórias como essa, embora difíceis, servem como alerta e reforçam a importância do cuidado em cada etapa de uma escalada.

 

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