Caso Isabella Nardoni ganha novo capítulo nos EUA

O caso Isabella Nardoni, um dos crimes mais chocantes da história recente do Brasil, voltou a ganhar repercussão após quase duas décadas. Em março de 2008, a menina de apenas cinco anos foi encontrada morta após ser arremessada da janela de um apartamento no Edifício London, na zona norte de São Paulo. Alexandre Nardoni, pai da criança, e sua então esposa, Anna Carolina Jatobá, foram condenados pelo homicídio e cumprem pena até hoje, com progressões de regime ao longo dos anos. O julgamento, marcado por grande comoção nacional, parecia encerrado do ponto de vista jurídico, mas novos questionamentos têm surgido.
Em setembro de 2025, a Associação do Orgulho LGBTQIAPN+, presidida por Agripino Magalhães, protocolou uma representação junto ao Ministério Público de São Paulo. O documento pede a instauração ou reabertura de inquérito para investigar a possível participação de Antônio Nardoni, avô paterno de Isabella e pai de Alexandre, no crime. De acordo com a entidade, as alegações baseiam-se no relato de uma policial penal que afirma ter ouvido de Anna Carolina Jatobá uma versão segundo a qual o sogro teria auxiliado de forma consciente, tanto na execução quanto na construção de álibis para o casal.
A denúncia sustenta que Antônio Nardoni teria atuado de maneira efetiva ou instigadora, inclusive no momento em que a criança, ainda com sinais vitais, foi jogada pela janela do sexto andar. Na época do crime, o avô não foi alvo de investigação formal, o que agora motiva o pedido de apuração. A associação também solicitou medidas de proteção à servidora pública que relatou o caso, alegando temor de represálias caso o depoimento fosse formalizado diretamente.
Recentemente, o tema ganhou contornos internacionais. A mesma entidade decidiu levar a denúncia para instâncias nos Estados Unidos, acionando a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, sediada em Washington. O objetivo é pressionar por uma análise mais ampla do caso, incluindo supostas falhas no processo judicial brasileiro e a necessidade de novas investigações sobre o possível envolvimento de terceiros. Esse movimento representa uma escalada na estratégia da associação, que já havia questionado decisões judiciais paulistas junto ao Conselho Nacional de Justiça.
Procurado, Antônio Nardoni negou veementemente qualquer participação no assassinato da neta. A defesa da família classifica as novas acusações como infundadas e afirma que pretende adotar as medidas legais cabíveis para rebater as alegações. Até o momento, não há confirmação de que o Ministério Público tenha aberto um inquérito formal com base na representação, permanecendo a iniciativa em fase de análise preliminar.
Especialistas em direito penal observam que, mesmo após condenação definitiva, representações com novas testemunhas ou elementos podem levar à reabertura de apurações, embora o ônus da prova recaia sobre quem apresenta as alegações. No caso Nardoni, o debate público permanece acalorado, com opiniões divididas sobre a credibilidade do relato indireto e o momento em que surge, tantos anos depois.
O desdobramento internacional e as acusações contra o avô reacendem o interesse da sociedade por um caso que marcou a memória coletiva brasileira. Qualquer avanço dependerá agora da avaliação técnica do Ministério Público e, eventualmente, de decisões judiciais sobre a pertinência de novas investigações. Enquanto isso, o episódio reforça como crimes de grande repercussão continuam a gerar questionamentos mesmo após longos períodos.



