Repórter da Band tem morte encefálica após acidente em gravação, confirma emissora

A rotina de quem trabalha com notícia costuma ser marcada por deslocamentos rápidos, pautas urgentes e longas jornadas. Foi justamente em um desses retornos de reportagem que a trajetória da jornalista Alice Ribeiro chegou a um fim inesperado, deixando colegas, familiares e espectadores profundamente abalados.
Na noite de quinta-feira, 16 de abril, o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, referência em atendimentos de alta complexidade em Belo Horizonte, confirmou a morte encefálica da repórter, de 35 anos. Ela estava internada desde o dia anterior, após sofrer ferimentos graves em um acidente na BR-381, via conhecida pelo intenso fluxo de veículos e histórico de ocorrências.
O caso mobilizou equipes médicas desde as primeiras horas. O protocolo para confirmação da morte encefálica, que exige uma sequência rigorosa de exames clínicos, foi iniciado ainda pela manhã e concluído à noite. Durante todo o período, familiares e amigos acompanharam com esperança, ainda que o quadro fosse considerado extremamente delicado.
O acidente aconteceu na altura de Sabará, na região metropolitana da capital mineira. Alice estava em um carro de reportagem da Band Minas, que colidiu de frente com um caminhão. O impacto foi severo e exigiu rápida atuação das equipes de resgate.
No mesmo veículo estava o cinegrafista Rodrigo Lapa, de 49 anos, que conduzia o carro no momento da colisão. Ele não resistiu aos ferimentos e faleceu ainda no local. Natural de Porto Alegre, Rodrigo era reconhecido pela dedicação ao trabalho e também por iniciativas fora do jornalismo, como apresentações artísticas voltadas a crianças em hospitais — um lado pouco visto, mas muito lembrado por quem convivia com ele.
Há um detalhe que torna essa história ainda mais marcante. A equipe retornava justamente da produção de uma matéria sobre os riscos da BR-381 e a necessidade de melhorias estruturais na rodovia. O trecho onde ocorreu o acidente é frequentemente citado por especialistas como um dos mais críticos do estado, o que reacende discussões que já vinham ganhando espaço nos últimos anos.
A Polícia Civil de Minas Gerais abriu investigação para entender as circunstâncias da colisão. Peritos estiveram no local e recolheram informações que podem ajudar a esclarecer o que aconteceu. Até agora, não há uma versão oficial sobre a causa do acidente, e o trabalho técnico deve seguir nos próximos dias.
Alice Ribeiro construiu sua carreira com consistência. Formada em 2015, iniciou como estagiária e, aos poucos, ganhou espaço no jornalismo televisivo. Passou por diferentes redações até integrar a equipe da Band em Brasília e, mais recentemente, retornar a Belo Horizonte, onde atuava desde agosto de 2024.
Colegas a descrevem como uma profissional comprometida, daquelas que não evitam pautas difíceis e que fazem questão de contar histórias com cuidado.
Fora das câmeras, era mãe de um bebê de nove meses — detalhe que, inevitavelmente, amplia a dimensão da perda para quem acompanha o caso de perto.
O episódio traz de volta um debate antigo: a segurança nas estradas brasileiras. A BR-381, especialmente no trecho mineiro, concentra um volume elevado de acidentes, o que faz da duplicação da via uma demanda recorrente entre especialistas e autoridades. Enquanto projetos avançam lentamente, histórias como essa continuam a lembrar que, por trás dos números, existem vidas interrompidas e famílias que precisam seguir adiante.
No meio da dor, fica também o legado de profissionais que escolheram informar — muitas vezes enfrentando riscos que nem sempre aparecem na tela.



