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Alice, repórter da Band, morreu sem realizar o sonho com o filho

A jornalista Alice Ribeiro, de 35 anos, repórter da Band Minas, teve a morte encefálica confirmada na noite de quinta-feira, 16 de abril, após um grave acidente na BR-381, em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O carro de reportagem em que ela viajava colidiu com um caminhão, e o cinegrafista Rodrigo Lapa, de 49 anos, que conduzia o veículo, morreu no local. O acidente chocou a imprensa mineira e mobilizou equipes de resgate que trabalharam por horas para remover as vítimas das ferragens.

Alice deixa o marido, João, e o filho Pedro, de apenas nove meses. O menino nasceu em junho do ano passado e, desde os primeiros meses, se tornou o centro da vida da repórter. Ela o chamava carinhosamente de “astronauta”, em referência ao capacete ortopédico que o bebê usava para correção craniana, um detalhe que Alice compartilhava com carinho em conversas com colegas e nas redes sociais.

Nos dias que antecederam o acidente, a jornalista estava especialmente animada com os preparativos para o primeiro aniversário de Pedro, marcado para junho. Amigos e companheiros de trabalho contam que Alice falava com entusiasmo sobre a festa que planejava, detalhando desde a decoração até as lembrancinhas, como se o evento representasse um marco importante na curta mas intensa vida familiar que construía ao lado do filho.

Com passagem marcante pela Band Minas, Alice Ribeiro se destacou pela cobertura ágil e humana de pautas diárias da capital e do interior de Minas Gerais. Sua trajetória no telejornalismo regional era marcada pela dedicação, pela proximidade com as fontes e pela capacidade de transformar histórias comuns em reportagens que tocavam o público. Colegas a descrevem como uma profissional generosa e sempre disposta a ajudar os mais novos na redação.

O acidente ocorreu enquanto a equipe retornava de uma pauta de rotina, reforçando os riscos enfrentados diariamente por jornalistas em campo. A BR-381, conhecida por seu alto índice de sinistros, mais uma vez cobrou vidas de profissionais que levam informação à sociedade. A Band Minas suspendeu parte da programação para dar espaço a homenagens internas e comunicou oficialmente a perda à audiência.

Em gesto de solidariedade, a família de Alice autorizou a doação de órgãos. Rins, pâncreas, fígado e córneas foram destinados a pacientes que aguardam transplante, transformando parte da tragédia em esperança para outras famílias. O procedimento foi iniciado ainda na noite de quinta-feira, com o apoio da Central de Transplantes de Minas Gerais.

A morte de Alice Ribeiro deixa um vazio na imprensa mineira e na vida de quem convivia com sua energia e profissionalismo. Enquanto o pequeno Pedro completa seus primeiros passos sem a mãe ao lado, o legado da repórter segue vivo nas reportagens que produziu e na memória afetiva de quem a conheceu. A comoção se espalha pelas redações e pelas ruas de Belo Horizonte, onde Alice era figura querida e respeitada.

 

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