Um dos envolvidos na morte do cachorro Orelha morreu em Santa Catarina

Tony Marcos de Souza, empresário de 52 anos que figurava como um dos indiciados por suposta coação de testemunha no polêmico caso da morte do cão Orelha, faleceu na madrugada desta segunda-feira, 13 de abril de 2026, em Florianópolis. Ele sofreu um infarto fulminante e, apesar dos esforços médicos, não resistiu ao quadro grave, conforme informações oficiais repassadas pela família ao advogado que o representava no processo.
A confirmação do óbito foi feita pelo advogado Rodrigo Duarte da Silva, que acompanhava de perto as questões jurídicas envolvendo Souza. Natural da região e residente na capital catarinense há anos, o empresário era conhecido no meio empresarial local por sua atuação no setor de comércio e serviços, mantendo um perfil relativamente reservado até o envolvimento no caso que ganhou repercussão nacional.
O episódio central remonta ao mês de janeiro de 2026, quando um golden retriever chamado Orelha foi brutalmente morto em circunstâncias ainda sob investigação na Praia Brava, balneário de luxo em Balneário Camboriú. O crime gerou intensa comoção social em todo o país, mobilizando ativistas de direitos animais, autoridades policiais e a opinião pública, que acompanhou com atenção os desdobramentos das apurações envolvendo adolescentes moradores de um condomínio de alto padrão.
Tony Marcos de Souza era parente próximo de um dos jovens inicialmente citados na investigação sobre a morte do animal. Ao lado de André Zenha Wieliczka e Marcus Fernando da Silva – ambos também familiares de outros menores envolvidos –, ele acabou formalmente indiciado pela Polícia Civil de Santa Catarina por crimes de coação e intimidação de testemunha, condutas que teriam sido praticadas após o depoimento prestado pelo porteiro do condomínio.
As investigações apontam que as supostas ameaças e abordagens indevidas tinham como objetivo principal silenciar o funcionário do residencial, que forneceu à polícia detalhes importantes sobre a movimentação dos adolescentes na noite do crime. Mensagens trocadas por aplicativos, contatos telefônicos e até encontros presenciais foram relatados como formas utilizadas para exercer pressão indevida sobre o porteiro, configurando, segundo o inquérito, clara tentativa de obstrução da Justiça.
Diante da complexidade do caso, a Promotoria de Justiça requereu a redistribuição dos autos para uma Promotoria Criminal comum, sustentando que as intimidações possuíam motivação de caráter pessoal e ocorreram, em grande parte, por meio das redes sociais, sem vínculo direto com o crime ambiental contra o animal. Essa solicitação ainda está em fase de análise pelo Poder Judiciário catarinense, aguardando decisão sobre o prosseguimento das ações penais.
A morte prematura de Tony Marcos de Souza não encerra o andamento do inquérito que apura a coação de testemunha. O processo judicial segue ativo com a participação dos demais indiciados, mantendo aceso o debate sobre responsabilidade penal de adultos em casos envolvendo menores, a proteção efetiva de testemunhas e a crescente discussão nacional sobre crimes de maus-tratos a animais e suas consequências jurídicas e sociais.



