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Corpos de 10 membros da mesma foram encontrados em várias cidades do Brasil. Relembre algumas informações

Tudo teve início após o desaparecimento da cabeleireira Elizamar Silva, de 39 anos, e de seus três filhos pequenos, em 12 de janeiro. Naquele dia, após encerrar o expediente em seu salão na Asa Norte, ela seguiu até a chácara do sogro, Marcos Antônio, para buscar as crianças. A partir desse momento, nenhum dos quatro foi mais visto, dando início a uma sequência de descobertas que revelariam um dos crimes mais impactantes da história recente da capital.

No dia seguinte ao desaparecimento, os corpos de Elizamar e dos filhos foram encontrados dentro de um carro incendiado na cidade de Cristalina, em Goiás, a mais de 130 quilômetros do local onde haviam sido vistos pela última vez. A condição dos corpos indicava uma tentativa clara de dificultar a identificação e ocultar evidências, o que aumentou ainda mais a gravidade do caso.

As buscas continuaram e, em 14 de janeiro, outras duas vítimas foram localizadas. Renata Belchior, mãe de Thiago, e Gabriela Belchior, irmã dele, foram encontradas sem vida dentro do veículo de Marcos Antônio, na cidade de Unaí, em Minas Gerais. Segundo as investigações, elas teriam sido atraídas até o local onde algumas vítimas eram mantidas em cativeiro antes do desfecho fatal.

Dias depois, a polícia encontrou o corpo de Marcos Antônio, sogro de Elizamar, em Planaltina, no Distrito Federal. Ele estava enterrado em uma área que teria sido utilizada pelos criminosos como ponto de confinamento das vítimas. A localização reforçou a hipótese de que o grupo agiu de forma planejada, utilizando diferentes locais para executar e ocultar os crimes.

A sequência de descobertas teve seu último capítulo em 24 de janeiro, quando os investigadores localizaram mais três corpos em uma cisterna, também em Planaltina. Entre eles estavam Thiago Belchior, marido de Elizamar, além de Cláudia Regina Marques de Oliveira e Ana Beatriz Marques de Oliveira, ex-companheira e filha de Marcos Antônio. Com isso, foi confirmado o total de 10 vítimas, todas ligadas por laços familiares.

De acordo com a Polícia Civil, a motivação do crime estaria diretamente relacionada a uma disputa por terras. A propriedade em questão possuía características valorizadas, como ampla extensão territorial e até uma cachoeira privativa, o que teria intensificado o conflito entre os envolvidos. O valor estimado do imóvel e seu potencial econômico são apontados como fatores centrais para o planejamento do crime.

As investigações também levaram à prisão de cinco suspeitos, que agora respondem judicialmente pelo caso. Entre eles estão indivíduos que teriam participado diretamente das ações, desde a execução até a manutenção de vítimas em cativeiro. Alguns dos detidos chegaram a confessar envolvimento, além de apontar possíveis mandantes — que posteriormente também foram identificados entre as vítimas.

O julgamento dos acusados teve início no Fórum de Planaltina, reunindo grande atenção pública e expectativa por justiça. Os réus respondem por uma série de crimes graves, incluindo homicídio qualificado, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro e associação criminosa. Caso sejam condenados, as penas podem ultrapassar 70 anos de prisão para cada um, podendo chegar, somadas, a mais de 300 anos.

O caso permanece como um dos episódios mais emblemáticos da violência no Distrito Federal, não apenas pelo número de vítimas, mas pela forma como os crimes foram executados. A repercussão continua intensa, e o julgamento representa um momento decisivo para esclarecer responsabilidades e dar uma resposta à sociedade diante de um crime que ainda causa indignação e perplexidade.

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