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Corpo de sargento que questionava a tese de suicídio do filho é achado em casa

A 3ª sargento da Polícia Militar de Mato Grosso, Heloísa Pérola, foi encontrada morta dentro de sua residência em Alto Boa Vista na tarde de quarta-feira, 8 de abril. O caso é investigado inicialmente como suicídio, provocado por disparo de arma de fogo na cabeça. A morte da militar ocorre exatamente três meses após o falecimento de seu filho, o atleta profissional de kickboxing Gabriel Pertusi Pérola de Araújo, de 27 anos, e tem gerado forte comoção entre colegas de farda e a população local.

Heloísa comandava o Núcleo da Polícia Militar no município de Alto Boa Vista, vinculado ao 10º Comando Regional. Conhecida pela dedicação ao trabalho e pela postura firme, ela era respeitada na corporação. Familiares e vizinhos foram os primeiros a notar a ausência da sargento, o que levou à descoberta do corpo ainda na tarde de quarta. A Polícia Civil assumiu imediatamente as investigações, preservando o local para perícia.

Em 16 de janeiro deste ano, Gabriel foi encontrado sem vida em sua casa no bairro Jardim das Mangueiras, em Barra do Garças. A Polícia Civil registrou o caso inicialmente como suicídio, com base nos laudos periciais disponíveis na ocasião. O jovem, que integrava a equipe Chute Kombat e havia competido em eventos nacionais de kickboxing, deixou uma trajetória promissora no esporte e uma família abalada pela perda repentina.

Heloísa nunca aceitou a versão oficial sobre a morte do filho. Ela contestava publicamente a conclusão de suicídio e reunia materiais, áudios e vídeos que, segundo sua avaliação, apontavam para um possível homicídio. A sargento chegou a mencionar ameaças recebidas por Gabriel dias antes, supostamente envolvendo um conhecido ligado a facções criminosas, e defendia que o caso merecia investigação mais aprofundada como execução.

A tragédia dupla abalou não apenas a família, mas também as comunidades de Barra do Garças e Alto Boa Vista. Gabriel era visto como exemplo de superação no mundo esportivo regional, enquanto Heloísa representava o compromisso diário da Polícia Militar com a segurança pública. Amigos e colegas destacam que a sargento mantinha a esperança de esclarecer as circunstâncias da morte do filho, mesmo enquanto lidava com o luto.

A comoção provocada pela morte da sargento se espalhou rapidamente pelas redes sociais e veículos locais, com mensagens de pesar de policiais, atletas e moradores das duas cidades. Muitos lembram a determinação de Heloísa em buscar justiça e o impacto emocional que a perda do filho causou em sua rotina profissional e pessoal.

As duas mortes seguem sob apuração da Polícia Civil de Mato Grosso. Enquanto o caso de Heloísa Pérola é tratado como suicídio, as investigações sobre a morte de Gabriel continuam abertas, com possibilidade de reclassificação dependendo de novos elementos. As autoridades afirmam que todas as linhas serão exploradas para esclarecer os fatos e trazer respostas à família e à sociedade.

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