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Corpo de jovem de 17 anos desaparecida é encontrado em Jundiaí

O desaparecimento de uma adolescente costuma mobilizar mais do que buscas policiais. Ele aciona sentimentos coletivos, prende a atenção de famílias inteiras e cria uma espera silenciosa por respostas. Em Jundiaí, no interior de São Paulo, não foi diferente. Durante 12 dias, o nome de Melissa Felippe Martins Santos circulou entre mensagens, redes sociais e rodas de conversa, sempre acompanhado de esperança.

Essa expectativa, no entanto, deu lugar à tristeza no fim da tarde da última quarta-feira, 8 de abril. O corpo da jovem de 17 anos foi encontrado em uma área de mata, encerrando um período de angústia para familiares e amigos. A confirmação veio do delegado José Ricardo Marchetti, responsável pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que acompanha o caso desde o início.
Melissa estava desaparecida desde o dia 28 de março. 

Naquela manhã, seguiu sua rotina habitual: foi ao cursinho onde se preparava para o vestibular. Câmeras de segurança registraram sua saída por volta das 7h40. Mais tarde, por volta das 8h30, ela encontrou um amigo, com quem permaneceu até o meio-dia. A partir desse momento, o trajeto da adolescente passou a ser reconstruído com base em pistas indiretas.
Informações do cartão de transporte indicam que Melissa esteve no Terminal Eloy Chaves, um dos pontos de circulação da cidade. 

Ainda assim, detalhes importantes ficaram em aberto. Segundo familiares, ela não utilizou o próprio cartão naquele deslocamento, o que levantou dúvidas sobre como realizou o trajeto. O celular, peça-chave em qualquer investigação atual, foi desligado ainda na tarde do mesmo dia, o que dificultou o rastreamento.

Enquanto isso, dentro de casa, a família buscava compreender o que poderia ter motivado o desaparecimento. O irmão, Sólon Felippe Alvarenga, descreveu Melissa como uma jovem sensível, dedicada aos estudos e apaixonada por leitura e música. Torcedora do Santos, ela também havia se interessado recentemente por filosofia, algo comum em quem está em fase de escolhas importantes sobre o futuro.

A rotina da adolescente era intensa. Pela manhã e tarde, cursinho. À noite, escola. Um ciclo exigente, especialmente para quem se preparava para disputar uma vaga em medicina — sonho que ela compartilhava com a família. Segundo relatos, Melissa cogitava seguir na área da psiquiatria, motivada também por experiências pessoais.

Esse ponto, aliás, ganhou destaque durante as investigações. A jovem tinha histórico de acompanhamento psicológico e psiquiátrico, além de fazer uso de medicação controlada. Pessoas próximas acreditam que a pressão típica do período pré-vestibular pode ter contribuído para um agravamento emocional recente. Ainda assim, não havia registros anteriores de desaparecimento ou fuga.

O corpo foi encontrado em estágio avançado de decomposição e encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde exames devem apontar as causas da morte. Até lá, muitas perguntas permanecem sem resposta — e talvez sejam justamente essas lacunas que mais pesam.

Casos como o de Melissa expõem uma realidade que vai além das manchetes. Eles lembram que, por trás de números e investigações, existem histórias em construção, sonhos interrompidos e famílias tentando reorganizar o que ficou.

Nos últimos anos, tem se falado mais sobre saúde mental entre jovens, especialmente em contextos de alta cobrança, como o vestibular. Ainda assim, o assunto muitas vezes chega tarde demais às conversas cotidianas. Situações como essa reforçam a importância de olhar com mais atenção para sinais sutis e abrir espaços de escuta dentro de casa e na escola.

Em Jundiaí, a cidade segue tentando entender o que aconteceu. Entre ruas conhecidas e rotinas que continuam, fica a memória de uma jovem que, como tantas outras, carregava planos, dúvidas e um futuro pela frente.

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