Reviravolta em Bacabal leva mãe das crianças a quebrar o silêncio

A mãe das crianças desaparecidas em Bacabal, no Maranhão, falou publicamente após uma nova movimentação no caso que chamou a atenção dos moradores da região. Clarice Cardoso, mãe de Ágatha Isabelly, de seis anos, e Allan Michael, de quatro, se manifestou depois que investigadores retornaram à sua residência e passaram várias horas no local, em uma ação que marcou mais uma reviravolta na investigação.
Segundo relatos atribuídos ao comunicador Paulo Mathias, na última quinta-feira, moradores perceberam a presença de aproximadamente sete policiais civis na casa de Clarice. Os agentes chegaram ainda pela manhã e permaneceram no imóvel durante todo o período, retornando novamente à tarde para dar continuidade aos trabalhos, o que aumentou a expectativa da comunidade em torno de possíveis avanços.
Ainda de acordo com as informações, no turno da tarde os investigadores voltaram acompanhados de um helicóptero e cães farejadores. A movimentação chamou a atenção de vizinhos e curiosos, que estimaram que a polícia permaneceu cerca de três horas no local. Até o momento, a Polícia Civil não divulgou informações oficiais sobre o objetivo da nova diligência nem sobre eventuais resultados obtidos.
Poucas horas após a repercussão da ação policial, Clarice Cardoso usou as redes sociais para se pronunciar. Ela compartilhou uma foto inédita ao lado dos dois filhos, registrada antes do desaparecimento, gesto que comoveu seguidores e reacendeu a mobilização em torno do caso que já dura mais de um mês.
Na publicação, a mãe desabafou sobre o impacto emocional do momento vivido. Em tom de apelo, afirmou sentir que a dor tem sido maior do que suas forças e pediu ajuda para conseguir seguir firme diante da situação. A mensagem foi interpretada por muitos como um reflexo do desgaste psicológico enfrentado pela família desde o desaparecimento das crianças.
Clarice já havia se manifestado anteriormente em conversa com a jornalista Mary Coimbra, quando afirmou acreditar que os filhos foram levados por alguém. Segundo ela, apesar de ter participado das buscas ao lado do marido, da mãe e do pai, seu sentimento de mãe indicava que as crianças não estariam na área onde os trabalhos se concentraram inicialmente.
Na mesma declaração, Clarice revelou que possui suspeitas, mas que essas informações foram repassadas exclusivamente às autoridades responsáveis pela investigação. Ela afirmou ter dificuldade em imaginar que alguém da própria comunidade possa estar envolvido, destacando que um eventual envolvimento interno representaria uma traição grave aos valores do quilombo onde vivem.
As buscas por Ágatha Isabelly e Allan Michael já mobilizaram mais de mil pessoas, entre voluntários, moradores da região e profissionais especializados. As operações se estenderam por áreas de mata e terrenos de difícil acesso, mas até o momento não houve confirmação concreta sobre o paradeiro das crianças.
Durante as diligências, foram encontradas fezes e pegadas, porém os investigadores ainda não conseguiram confirmar se os vestígios pertencem aos irmãos desaparecidos ou a Anderson Kauã, primo das crianças. O menino, de oito anos, se perdeu junto com os primos, mas foi localizado após três dias de buscas e já se encontra em casa, sem ferimentos, enquanto o mistério em torno de Ágatha e Allan permanece sem respostas.



