PF quebra criptografia e acessa dados de celular de Vorcaro

A Polícia Federal avançou em uma etapa decisiva das apurações que envolvem o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. O celular do empresário foi submetido a uma ferramenta especializada de quebra de criptografia, capaz de acessar conteúdos protegidos por camadas avançadas de segurança. Segundo informações apuradas, os dados extraídos estão em fase de organização e deverão ser compartilhados, em breve, com o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria-Geral da República, ampliando o alcance institucional da investigação.
De acordo com relatos colhidos durante o inquérito, Vorcaro se recusou a fornecer a senha de um aparelho de última geração da linha iPhone durante depoimento prestado à PF. A negativa levou os investigadores a recorrerem a recursos técnicos próprios, recentemente adquiridos pela corporação, que permitem superar proteções sofisticadas e acessar o conteúdo armazenado no dispositivo. A iniciativa é vista como estratégica, já que pode revelar comunicações, documentos e registros considerados relevantes para o esclarecimento dos fatos.
Fontes próximas à apuração informaram que o aparelho apresentava uma camada adicional de proteção, além dos mecanismos padrão do sistema operacional. Mesmo assim, a Polícia Federal conseguiu iniciar o processo de acesso por meio de softwares capazes não apenas de decodificar dados criptografados, mas também de recuperar informações apagadas. Esse tipo de tecnologia tem sido empregado em investigações complexas, especialmente quando há suspeita de tentativas de ocultação de registros digitais.
Nos bastidores, a expectativa é de que o conteúdo do celular ajude a esclarecer o contexto de decisões e movimentações envolvendo o Banco Master. Além da análise de eventuais irregularidades administrativas e financeiras, a PF investiga se houve atuação do banqueiro junto a autoridades com o objetivo de influenciar medidas regulatórias e evitar a liquidação da instituição. Esse ponto é considerado sensível e pode ter reflexos tanto na esfera criminal quanto na política.
O material obtido deverá chegar ao STF por intermédio do ministro Dias Toffoli, que, segundo interlocutores, avalia a liberação dos dados à CPMI do INSS. A comissão parlamentar pretende utilizar as informações para aprofundar questionamentos e traçar um panorama mais amplo das relações institucionais e decisões envolvendo o setor financeiro sob investigação.
Vorcaro está previsto para prestar depoimento à CPMI no dia 19, logo após o feriado de carnaval. A defesa do banqueiro, contudo, já sinalizou que buscará limitar o escopo das respostas, concentrando-se em temas específicos e evitando interpretações que extrapolem o objeto central da comissão. A estratégia jurídica deverá ser debatida previamente, à medida que novos elementos venham a público.
Com a consolidação dos dados extraídos do celular, o caso entra em uma nova fase. A análise técnica pode trazer informações determinantes para o rumo das investigações e para a atuação dos órgãos de controle. Enquanto isso, autoridades acompanham com atenção os próximos passos, cientes de que o conteúdo digital reunido pela Polícia Federal pode ter impacto significativo nas decisões do Judiciário e do Legislativo sobre o futuro do Banco Master e a responsabilidade de seus dirigentes.



