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Mãe de suspeito do Caso Orelha toma atitude drástica após pedido de internação

A morte do cão comunitário Orelha, que mobilizou moradores de Santa Catarina e repercutiu em todo o país, continua no centro de um intenso debate jurídico e social. O caso ganhou novo capítulo neste domingo (8), após a mãe do adolescente apontado como principal suspeito conceder entrevista ao programa Fantástico. Na conversa, ela negou qualquer tentativa de ocultar provas e afirmou que sempre colaborou com as autoridades. A apuração, conduzida pela Polícia Civil, segue em andamento e envolve análises técnicas, depoimentos e questionamentos levantados pela defesa.

Segundo as investigações, o adolescente, de 15 anos, é acusado de ter agredido o animal durante a madrugada do dia 4 de janeiro. Orelha, que era conhecido e cuidado por moradores da região, não resistiu e morreu no dia seguinte. A comoção foi imediata, com manifestações públicas, protestos e cobranças por responsabilização. Diante da repercussão, a Polícia Civil concluiu o inquérito e solicitou à Justiça a internação do jovem, medida que gerou discussões sobre os limites legais aplicáveis a atos infracionais envolvendo maus-tratos a animais.

Durante o processo de apuração, um dos pontos que levantou suspeitas foi a viagem do adolescente aos Estados Unidos, realizada poucos dias após o ocorrido. A mãe passou a ser investigada sob a hipótese de ter tentado dificultar a coleta de provas. No entanto, na entrevista exibida em rede nacional, ela afirmou que não houve qualquer intenção de esconder objetos ou informações e que sempre esteve à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos sempre que solicitada.

De acordo com a polícia, ao retornar da viagem, cerca de 25 dias após o episódio, familiares teriam tentado ocultar um boné e um moletom que o jovem usava no dia dos fatos. Ao todo, 24 testemunhas foram ouvidas e mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança foram recolhidas e analisadas. A mãe, por sua vez, negou a versão apresentada pelos investigadores e declarou que os objetos foram entregues espontaneamente, sem qualquer resistência, assim que solicitados.

A defesa do adolescente sustenta que há lacunas relevantes na investigação. O advogado afirma que não existem registros visuais que comprovem diretamente o momento em que o animal foi agredido, nem imagens que mostrem o jovem cometendo o ato apontado pela acusação. Segundo ele, a construção do inquérito se baseia em indícios e interpretações, o que, na avaliação da defesa, não seria suficiente para sustentar uma medida tão severa quanto a internação.

Outro ponto levantado pelos advogados diz respeito a imagens que mostrariam o cão ferido em horário posterior ao indicado pela polícia como o momento das agressões. Para a defesa, esse material reforça a tese de que há inconsistências temporais no processo e que outras possibilidades não foram devidamente exploradas durante a apuração. Esses questionamentos foram apresentados formalmente e devem ser analisados pela Justiça antes de qualquer decisão definitiva.

Além disso, a defesa contesta o pedido de internação sob o argumento de que o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê essa medida apenas em situações específicas, geralmente relacionadas a atos cometidos contra pessoas. O caso de Orelha, embora envolva grande comoção pública, levanta um debate jurídico complexo sobre como o sistema legal brasileiro deve lidar com ocorrências desse tipo. Enquanto a Justiça avalia os próximos passos, o episódio segue provocando reflexões sobre proteção animal, responsabilidade familiar, limites legais e o impacto da opinião pública em investigações de grande repercussão.

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