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Foi isso o que professora distribuiu aos alunos antes de ser morta em sala de aula

Poucas horas antes de uma tragédia que abalaria Porto Velho e ganharia repercussão nacional, a professora Juliana Santiago viveu um momento comum, quase rotineiro, dentro da sala de aula. Era início do 5º período em uma faculdade particular da capital de Rondônia, e o clima, segundo alunos, era de expectativa e leveza. Juliana, conhecida pelo jeito próximo e acolhedor, havia preparado algo diferente para aquela aula de Direito Processual Penal.

Logo cedo, antes mesmo do encontro presencial, ela enviou um e-mail aos universitários dando as boas-vindas ao novo semestre. A mensagem convidava a turma para participar de um quiz com perguntas da área jurídica, uma proposta simples, mas pensada para estimular a participação e quebrar o gelo típico do começo de período. Pequenos prêmios seriam entregues aos vencedores, como forma de incentivo e integração.

Durante a aula, o tema abordado foi o sistema prisional brasileiro, um assunto complexo e, muitas vezes, pesado. Ainda assim, Juliana conseguiu conduzir a discussão de maneira didática e acessível. Para tornar o ambiente mais humano, distribuiu chocolates aos alunos e promoveu uma dinâmica educativa, incentivando a troca de ideias e o diálogo respeitoso. Não era apenas conteúdo técnico: havia ali uma tentativa clara de aproximar as pessoas.

Além dos chocolates, a professora entregou bilhetes com mensagens motivacionais e religiosas. O gesto, segundo colegas, fazia parte de sua personalidade. Juliana costumava usar a fé como fonte de inspiração, sempre com cuidado para não impor crenças, mas para transmitir esperança e confiança. Um dos bilhetes trazia um versículo bíblico sobre perseverança e superação. Horas depois, uma aluna chegou a compartilhar a mensagem nas redes sociais, sem imaginar o peso simbólico que aquele texto ganharia.

Entre os participantes do quiz estava João Cândido da Costa Junior, de 24 anos, apontado pelas autoridades como autor do crime. De acordo com relatos, ele foi um dos vencedores da atividade, recebeu o chocolate das mãos da professora e a cumprimentou de forma cordial. Esse detalhe, lembrado por colegas, tornou tudo ainda mais difícil de compreender para quem presenciou a aula.

Alunos descrevem Juliana como alguém entusiasmado com o que fazia. Ela costumava dizer que queria transformar o Direito Processual Penal em uma das matérias mais interessantes da semana, fugindo do formato engessado e excessivamente teórico. Para isso, usava exemplos atuais, promovia debates e incentivava os estudantes a pensar além dos livros.

Após o ocorrido, depoimentos de alunos e professores destacaram não apenas a profissional dedicada, mas a pessoa por trás do título de docente. Muitos lembraram da atenção que ela dava a quem tinha dificuldades, das palavras de incentivo nos corredores e da preocupação genuína com o desenvolvimento humano dos estudantes.

O caso reacendeu debates importantes sobre segurança nas instituições de ensino e sobre os limites do cuidado com a saúde emocional dentro do ambiente acadêmico. Em meio a tantas discussões, permanece a imagem de uma professora que, até seus últimos momentos, escolheu acolher, ensinar e espalhar mensagens de esperança.

Juliana Santiago deixou mais do que uma lacuna na sala de aula. Deixou lembranças, gestos simples e uma marca profunda na vida de quem teve a oportunidade de aprender com ela.

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