Otimista e acolhedora: quem era a professora de 41 anos morta dentro de sala de aula por aluno

A morte da professora Juliana Santiago, aos 41 anos, dentro de uma sala de aula em Porto Velho, abalou não apenas a comunidade acadêmica local, mas também repercutiu em todo o país. O caso, investigado como feminicídio, trouxe novamente ao centro do debate temas sensíveis e urgentes, como a violência contra a mulher e a segurança em instituições de ensino. O crime ocorreu no Centro Universitário Aparício Carvalho (Fimca) e interrompeu de forma abrupta a trajetória de uma profissional que era vista, por alunos e colegas, como exemplo de dedicação e humanidade.
Juliana não era apenas professora de Direito Penal. Ela também atuava como escrivã da Polícia Civil, conciliando duas carreiras exigentes com uma naturalidade que impressionava quem convivia com ela. No ambiente universitário, era conhecida pela proximidade com os estudantes e pela preocupação constante em tornar o aprendizado mais acessível. Fugindo do modelo tradicional, apostava em aulas dinâmicas, com quizzes, debates e atividades interativas que incentivavam a participação e quebravam a rigidez comum ao ensino jurídico.
Quem passou por suas aulas costuma lembrar de detalhes simples, mas marcantes. Pouco antes do ataque, Juliana havia prometido à turma que aquela seria “a melhor aula da semana”. Cumpriu a palavra. Organizou um quiz, distribuiu chocolates aos alunos que acertavam as perguntas e criou um clima leve, quase de celebração. Era o tipo de gesto que não constava no plano pedagógico, mas que fazia toda a diferença na relação com os estudantes. Entre os participantes da atividade estava João Cândido da Costa Junior, posteriormente identificado como autor do crime.
Para muitos alunos, Juliana era mais do que uma professora. Era alguém que escutava, aconselhava e incentivava. Estudantes relatam que ela falava abertamente sobre fé, perseverança e autoconfiança, sempre reforçando que cada um era capaz de ir além das próprias inseguranças. Em um ambiente acadêmico muitas vezes marcado por pressão e competitividade, ela se tornava um ponto de acolhimento.
O ataque aconteceu após o término da aula, quando Juliana permaneceu sozinha na sala. O aluno a feriu com uma faca e tentou deixar o local, mas foi contido por outro estudante, que é policial militar. A rápida intervenção evitou que a situação se agravasse ainda mais, mas não foi suficiente para salvar a vida da professora. A notícia se espalhou rapidamente e gerou comoção imediata.
Em resposta ao ocorrido, a instituição suspendeu as aulas por três dias e divulgou uma nota de pesar, destacando a trajetória profissional e o compromisso de Juliana com o ensino. Alunos, professores e entidades ligadas à educação e aos direitos das mulheres também se manifestaram, prestando homenagens e cobrando reflexões mais profundas sobre prevenção e segurança no ambiente universitário.
O caso de Juliana Santiago não é apenas uma estatística. É a história de uma mulher que acreditava no poder transformador da educação e que deixou uma marca afetiva em quem teve a chance de aprender com ela. Em meio à dor e à indignação, ficam as lembranças das aulas animadas, das palavras de incentivo e do cuidado humano que ela levava para dentro da sala. Uma ausência que dificilmente será preenchida, mas que reforça a necessidade de mudanças para que tragédias como essa não se repitam.



