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Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas ao ex-presidente, Jair Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a ocupar o centro do debate político nacional ao comentar, nesta sexta-feira, 6 de fevereiro, o projeto de lei da Dosimetria, aprovado pelo Congresso Nacional no fim de 2025. A proposta prevê a redução de penas para condenados pelos atos de 8 de janeiro e pela tentativa de ruptura institucional, tema que segue gerando forte repercussão entre governo, oposição e sociedade. Durante entrevista concedida à TV Aratu, em Salvador, o chefe do Executivo usou uma comparação dura ao se referir ao ex-presidente Jair Bolsonaro, reacendendo discussões sobre responsabilização, anistia e os limites do discurso político.

Sem mencionar diretamente o nome de Bolsonaro, Lula comparou o ex-mandatário a um “cachorro louco”, ao comentar a possibilidade de revisão das condenações. Segundo o presidente, a eventual libertação de alguém que, na visão dele, representa risco à estabilidade institucional poderia gerar novos problemas. A declaração foi dada em resposta a uma pergunta sobre a chance de o Congresso derrubar o veto presidencial ao projeto, cenário que vem sendo articulado por partidos de oposição desde o início do ano legislativo.

Na entrevista, Lula afirmou que já cumpriu o seu papel ao vetar o texto aprovado pelo Parlamento e que cabe agora ao Congresso decidir os próximos passos. O presidente destacou que não concorda com a redução das penas previstas no projeto e defendeu que as decisões judiciais sejam respeitadas. Para ele, a medida enfraquece o processo de responsabilização e pode transmitir à sociedade uma mensagem equivocada sobre os limites da democracia e do Estado de Direito.

Ao aprofundar suas críticas, o petista mencionou que o ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão e que, segundo investigações, existia um plano para atentar contra autoridades da República, incluindo o próprio Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes. O presidente ressaltou que essas informações não partiram de adversários políticos, mas de pessoas próximas ao ex-mandatário que colaboraram com as investigações, reforçando, segundo ele, a gravidade dos fatos apurados.

O projeto de lei da Dosimetria foi aprovado em dezembro, mesmo diante de resistências dentro da base governista. A proposta ganhou força no Congresso sob o argumento de que as penas aplicadas foram excessivas e precisariam de reavaliação técnica. No entanto, para o Palácio do Planalto, a iniciativa representa um retrocesso institucional. O veto presidencial foi formalizado em cerimônia no dia 8 de janeiro deste ano, data simbólica que marca um ano dos atos que atingiram as sedes dos Três Poderes.

Apesar do tom crítico, Lula reconheceu que o Congresso tem autonomia para decidir sobre o futuro do veto e admitiu, de forma ponderada, que uma eventual anistia pode ser discutida no futuro. O presidente fez uma comparação histórica ao lembrar do período pós-1964, quando medidas semelhantes foram adotadas anos depois do regime militar. Ainda assim, deixou claro que, no momento atual, entende que o ex-presidente deve continuar cumprindo a pena imposta pela Justiça.

As declarações de Lula intensificam o clima de polarização política e devem continuar repercutindo nos próximos dias, tanto no Congresso quanto nas redes sociais. O embate em torno do projeto da Dosimetria expõe divergências profundas sobre justiça, punição e reconciliação nacional, temas sensíveis em um país ainda marcado por disputas ideológicas. Enquanto o governo sustenta a necessidade de manter as condenações, a oposição segue mobilizada para tentar reverter o veto e alterar o rumo da proposta.

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