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Delegado lamenta morte de adolescente: “Provas e silêncios difíceis”

A morte de Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, de apenas 16 anos, trouxe à tona um daqueles casos que ultrapassam as páginas policiais e tocam fundo a sociedade. Neste sábado (7/2), o delegado-chefe da 38ª Delegacia de Polícia, em Vicente Pires, Pablo Aguiar, se pronunciou publicamente sobre o desfecho da investigação que acompanhou desde o início. Suas palavras, mais do que técnicas, carregaram um peso humano difícil de ignorar.

Rodrigo estava internado desde o dia 22 de janeiro, após ser agredido por Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, ex-piloto da Fórmula Delta. Durante semanas, o adolescente permaneceu em estado delicado, sob cuidados intensivos, até que não resistiu às complicações do quadro clínico. A confirmação da morte foi feita pelo advogado da família, Albert Halex, enquanto parentes e amigos optaram pelo silêncio neste momento de luto.

À frente das investigações, o delegado Pablo Aguiar conduziu um trabalho que resultou na prisão preventiva de Turra. Em sua manifestação, ele fez questão de ir além dos autos e relatórios. “Durante a investigação deste crime, lidei com fatos, provas e silêncios difíceis. Mas, acima de tudo, carreguei a responsabilidade de lembrar que, por trás de cada detalhe técnico, existia uma vida que merecia respeito e verdade”, afirmou. A fala resume bem o tom adotado por ele desde o início: firme, mas sensível.

Não foi a primeira vez que o delegado demonstrou emoção ao tratar do caso. No dia 30 de janeiro, durante uma entrevista coletiva, Pablo chorou ao comentar as circunstâncias envolvendo Rodrigo. Na ocasião, disse sentir a “dor de um pai” e expressou a esperança de que o Judiciário e o Ministério Público olhassem para o caso com a seriedade necessária. A cena repercutiu nas redes sociais e gerou debates sobre o impacto emocional que casos como esse causam também em quem investiga.

Rodrigo havia sido socorrido em estado crítico e encaminhado a um hospital particular em Águas Claras. O diagnóstico incluía traumatismo craniano, o que exigiu intubação e permanência na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Médicos atuaram de forma contínua, utilizando todos os recursos disponíveis, mas o quadro evoluiu de maneira desfavorável. A notícia da morte encerra um período de angústia para a família, que acompanhava cada boletim com esperança.

Na mensagem final, Pablo Aguiar destacou a importância da memória do adolescente. “Que ele seja lembrado não pelo modo como partiu, mas pela dignidade que merece. Aos familiares e amigos, fica nossa solidariedade e respeito”, declarou. Em tempos de notícias rápidas e julgamentos precipitados, a fala chama atenção pelo cuidado com as palavras.

Casos como o de Rodrigo levantam discussões mais amplas sobre responsabilidade, violência entre jovens e a atuação das instituições. Ao mesmo tempo, lembram que, por trás de números e processos, existem histórias interrompidas cedo demais. A comoção em torno da investigação e a postura adotada pelo delegado mostram que a busca por justiça também pode — e talvez deva — caminhar lado a lado com empatia e humanidade.

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