O laudo médico da Polícia Federal constatou que Jair Bolsonaro tem condições de continuar na Papudinha

O laudo pericial elaborado pela Polícia Federal trouxe novos desdobramentos sobre a situação do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro e reacendeu o debate jurídico e político em torno de sua custódia. O documento conclui que ele apresenta condições clínicas para continuar cumprindo pena na Sala de Estado-Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a chamada Papudinha, localizada no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O parecer médico foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal e divulgado nesta sexta-feira, dia 6 de fevereiro de 2026, após pedidos da defesa para uma reavaliação detalhada de seu estado de saúde.
A perícia foi realizada no dia 20 de janeiro por uma junta médica da Polícia Federal, atendendo a uma solicitação do relator dos processos que envolvem o ex-presidente. O objetivo principal da avaliação foi verificar se o quadro clínico apresentado permitiria a permanência no local de custódia ou se haveria necessidade de alteração no regime, como transferência para outra unidade ou concessão de prisão domiciliar. Os médicos analisaram exames, histórico clínico e as condições estruturais da unidade onde Bolsonaro se encontra.
De acordo com o laudo, Bolsonaro possui uma série de doenças crônicas, entre elas hipertensão arterial, apneia do sono grave, obesidade clínica, aterosclerose sistêmica, doença do refluxo gastroesofágico, queratose actínica e aderências intra-abdominais. Apesar da lista extensa, os peritos afirmam que todas essas condições estão atualmente sob controle clínico, com acompanhamento médico e uso regular de medicamentos, o que contribuiu para a avaliação positiva quanto à sua permanência na unidade prisional.
Os médicos responsáveis pela perícia destacaram que o estado geral de saúde do ex-presidente é considerado estável. Segundo o relatório, não foi identificado, no momento da avaliação, qualquer impedimento médico que inviabilize a continuidade do cumprimento da pena na Papudinha. O documento também aponta que a estrutura do local permite a adoção de cuidados necessários, incluindo acompanhamento periódico, acesso a medicamentos e monitoramento das condições clínicas apresentadas.
Outro ponto relevante do laudo é a exclusão de diagnósticos que haviam sido citados anteriormente pela defesa. Problemas como pneumonia bacteriana, anemia por deficiência de ferro, depressão e sarcopenia não foram confirmados pelos exames clínicos e laboratoriais realizados durante a perícia. Com isso, a junta médica concluiu que não há indicação para internação hospitalar nem justificativa médica para a concessão de prisão domiciliar neste momento.
Apesar da conclusão favorável à permanência no local, o parecer médico estabelece uma série de recomendações. Entre elas estão o acompanhamento médico regular, o controle rigoroso da pressão arterial, a adoção de uma dieta fracionada e balanceada, hidratação adequada e a realização periódica de exames. Também foi indicada a continuidade do uso do aparelho CPAP para o tratamento da apneia do sono, além de sessões de fisioterapia, medidas que, segundo os peritos, podem ser implementadas dentro da própria unidade prisional.
O laudo chama atenção ainda para o uso simultâneo de diversos medicamentos no tratamento das doenças crônicas, o que pode provocar efeitos colaterais como tontura e sonolência. Por isso, os médicos recomendam vigilância constante quanto à administração dos remédios, a fim de reduzir riscos associados à polifarmácia. Ao final, a Polícia Federal afirma que, do ponto de vista médico, não há necessidade de alteração no regime de custódia. O parecer agora será analisado pelo Supremo Tribunal Federal, que deverá decidir sobre os pedidos da defesa com base nas informações técnicas apresentadas.



