Vítimas de acidente de ônibus com romeiros são veladas em Alagoas

Na manhã desta quarta-feira (4), o ginásio poliesportivo de Coité do Nóia, no interior de Alagoas, amanheceu diferente. Em silêncio, famílias, amigos e moradores da cidade se reuniram para o velório coletivo de cinco vítimas do grave acidente envolvendo um ônibus de romeiros. O espaço, normalmente usado para atividades esportivas e eventos comunitários, tornou-se um ponto de despedida, marcado por abraços apertados, lágrimas contidas e muitas orações.
O ônibus fazia o trajeto de volta de Juazeiro do Norte, no Ceará, após a tradicional romaria ao santuário de Padre Cícero. A viagem, que costuma ser um momento de fé e confraternização, terminou de forma inesperada por volta das 4h40 da terça-feira (3). O veículo transportava cerca de 60 passageiros e fazia parte de um comboio maior, com aproximadamente 800 romeiros, segundo a prefeitura local.
Estão sendo velados Luiz Miguel de Alcântara, de apenas 4 anos; José Caio de Oliveira Souza, de 15; Adelmo José de Oliveira, 52; Sebastião Vieira de Moraes Neto, 55; e Josefa Madalena de Alcântara, 67. Histórias de gerações diferentes, unidas pela mesma viagem e pela comoção que agora atinge toda a cidade.
De acordo com informações da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), o ônibus envolvido no acidente circulava de forma irregular, sem as autorizações exigidas. Já a prefeitura de Coité do Nóia afirmou que o serviço foi contratado por meio de licitação e que a documentação teria passado por verificação prévia. Esse desencontro de versões deve ser apurado nos próximos dias e tem gerado questionamentos entre moradores e autoridades.
O acidente ocorreu em um trecho conhecido como “curva do S”, apontado por motoristas da região como um ponto perigoso, com histórico de ocorrências semelhantes. O Instituto de Criminalística de Arapiraca concluiu a perícia no local e informou que o ônibus saiu da pista e caiu em uma ribanceira com mais de cinco metros de altura. Segundo a gestão estadual, não foram encontrados sinais de frenagem antes da saída da via.
Paulo Roberto, assessor de comunicação do município, estava em outro ônibus da comitiva e relatou que o grupo havia parado em um posto de combustível pouco antes do ocorrido. Ele contou que a visibilidade era considerada boa para o horário, sem neblina, apenas com a iluminação reduzida típica da madrugada. A decisão de viajar à noite, segundo ele, foi tomada em conjunto pelos participantes.
No total, 15 pessoas morreram no local. Ainda na tarde de terça-feira, foi confirmado o falecimento de uma criança de 4 anos que havia sido socorrida e levada a um hospital da região. Outras vítimas seguem internadas, algumas em estado grave. Uma criança de 9 anos, atendida pelo SAMU, precisou ser transferida para o Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, onde permanece sob cuidados intensivos.
Enquanto investigações seguem em andamento, Coité do Nóia tenta lidar com a dor coletiva. A cidade, pequena e acostumada à rotina tranquila, agora se une em solidariedade. Missas, homenagens e gestos simples de apoio têm marcado os últimos dias, reforçando um sentimento comum: o de que a fé que levou os romeiros à estrada agora também serve de amparo para enfrentar a perda.



