Um dos adolescentes envolvidos no caso do cão Orelha se manifesta pela primeira vez

A investigação envolvendo adolescentes suspeitos de envolvimento em um caso que comoveu a comunidade de Santa Catarina segue em andamento e ganhou novos desdobramentos nos últimos dias. As autoridades confirmaram que os jovens ainda serão ouvidos oficialmente, mas as oitivas, previstas para a próxima semana, não têm data definida. O procedimento seguirá rigorosamente o que determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), garantindo a presença de um responsável legal durante os depoimentos, enquanto a atuação de um advogado será opcional.
Enquanto aguardam para prestar esclarecimentos formais, parte dos adolescentes já passou por medidas iniciais determinadas pela Polícia Civil. Dois deles retornaram ao Brasil na quinta-feira (29), após uma viagem à Disney, nos Estados Unidos. Assim que desembarcaram, os jovens tiveram celulares e peças de roupa recolhidos para análise. No início da mesma semana, mandados também haviam sido cumpridos nos endereços dos adolescentes que já estavam em território nacional, como parte da coleta de informações e materiais relevantes para o caso.
O episódio ganhou ainda mais atenção neste sábado (31), quando a Polícia Civil de Santa Catarina divulgou uma atualização que surpreendeu parte da população. As autoridades informaram que descartaram a participação dos quatro adolescentes em outro episódio envolvendo o cão comunitário Caramelo, que inicialmente havia sido associado ao mesmo grupo. De acordo com a nova apuração, os jovens não teriam relação com a tentativa de afogamento do animal na praia, ocorrido dois dias após o caso que envolveu o cão Orelha.
No início das investigações, a informação divulgada era de que os mesmos adolescentes estariam ligados a dois episódios distintos envolvendo os cães Orelha e Caramelo, em dias diferentes. A delegada responsável pelo caso, Mardjoli Valcareggi, chegou a afirmar que os fatos teriam ocorrido durante a noite, em uma área próxima à Praia Brava, onde um grupo de adolescentes costumava permanecer nas ruas. Essa declaração reforçou a percepção de que os casos estariam conectados.
Segundo o que havia sido informado anteriormente, o laudo referente ao cão Orelha indicou lesões na região da cabeça compatíveis com o uso de um objeto rígido. Já no caso de Caramelo, testemunhas relataram que o animal teria sido carregado até o mar e lançado à água. Imagens também circularam mostrando os adolescentes com o cachorro nos braços, o que fortaleceu a suspeita inicial. Posteriormente, foi confirmado que Caramelo estava bem e havia sido acolhido, sendo adotado por um delegado da própria corporação.
Com a nova atualização, a Polícia Civil esclareceu que, após aprofundamento das investigações, não encontrou elementos que comprovassem a participação dos adolescentes no episódio envolvendo o cão Caramelo. Apesar disso, os investigadores não detalharam como interpretam o vídeo em que os jovens aparecem segurando o animal, o que gerou questionamentos e manteve o assunto em evidência nas redes sociais e em grupos da comunidade local.
O caso segue sob investigação e ainda pode ter novos desdobramentos à medida que as oitivas forem realizadas e os materiais apreendidos forem analisados. As autoridades reforçam que todas as etapas estão sendo conduzidas com cautela, respeitando a legislação vigente e os direitos dos envolvidos. Enquanto isso, a população acompanha atentamente cada atualização, em busca de esclarecimentos e respostas sobre um episódio que provocou forte comoção e reacendeu o debate sobre responsabilidade, investigação cuidadosa e proteção dos animais.



