Polícia de SC conclui que apenas um dos adolescentes teve envolvimento na morte do cachorro orelha

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu, após minuciosa investigação, que apenas um adolescente teve envolvimento direto na morte do cão comunitário conhecido como Orelha, animal que vivia na Praia Brava, em Florianópolis. O caso, que chocou a população no início de 2026, envolveu graves maus-tratos que resultaram na morte do animal por ferimentos graves. A apuração apontou que o jovem identificado foi o responsável pelas agressões fatais, levando a corporação a solicitar à Justiça a internação provisória do adolescente, medida equivalente à prisão preventiva em casos envolvendo menores de idade.
O inquérito reuniu um volume expressivo de elementos probatórios, incluindo a análise de mais de mil horas de imagens captadas por câmeras de monitoramento instaladas na região. Essas gravações foram fundamentais para estabelecer o horário, o local exato das agressões e a identificação do autor. Além disso, 24 testemunhas foram ouvidas ao longo do processo, contribuindo para esclarecer os fatos e descartar a participação direta de outros suspeitos inicialmente mencionados em relatos iniciais.
A conclusão da polícia diverge de algumas percepções iniciais da sociedade, que acompanhou o caso com grande comoção nas redes sociais e na imprensa. Muitos questionaram a possibilidade de apenas um jovem ter agido sozinho, especialmente diante de vídeos que mostravam um grupo de adolescentes na praia. No entanto, as evidências técnicas, como vestimentas reconhecidas e contradições em depoimentos, reforçaram a tese de autoria individual no episódio que levou à morte de Orelha.
O caso ganhou contornos ainda mais graves pela crueldade demonstrada contra um animal indefeso e querido pela comunidade local. Orelha era um cão comunitário, cuidado por moradores e frequentadores da praia, o que ampliou o sentimento de indignação coletiva. A brutalidade das agressões, que causaram lesões incompatíveis com a vida, motivou a polícia a classificar o ato como especialmente grave, justificando o pedido de internação do responsável.
Paralelamente, a investigação também abrangeu outro episódio de maus-tratos ocorrido na mesma região, envolvendo o cão Caramelo, que sofreu tentativa de afogamento. Nesse caso, quatro adolescentes foram identificados e representados por atos infracionais equivalentes a maus-tratos. A distinção entre os dois inquéritos demonstra a preocupação da polícia em individualizar condutas e evitar generalizações injustas.
A conclusão do inquérito representa um passo importante no combate aos crimes de maus-tratos contra animais em Santa Catarina, reforçando que atos de crueldade não ficarão impunes, independentemente da idade dos autores. O encaminhamento dos autos ao Ministério Público e ao Judiciário agora permitirá que a Justiça decida sobre as medidas cabíveis, incluindo possíveis internações e responsabilizações.
O episódio do cão Orelha deixou marcas profundas na sociedade catarinense e reacendeu o debate sobre educação ambiental, empatia pelos animais e a necessidade de punição efetiva para atos de violência. A confiança depositada nas instituições policiais e judiciais será testada pela forma como o caso será conduzido daqui em diante, em busca de justiça para um animal que não pôde se defender.



