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Morre Glauber Rosa, aos 42 anos

Na madrugada de 3 de fevereiro, Salvador registrou mais uma tragédia que expõe a dureza do confronto entre forças de segurança e grupos criminosos na capital baiana. O cabo Glauber Rosa Santos, de 42 anos, foi baleado na cabeça durante uma ação policial no Vale das Pedrinhas, área do Complexo do Nordeste de Amaralina. O militar, que integrava o 30º Batalhão da Polícia Militar, foi atingido em meio a um intenso tiroteio e imediatamente socorrido para o Hospital Geral do Estado, onde passou por cirurgia de urgência. Apesar de todos os esforços da equipe médica, o cabo não resistiu aos ferimentos e faleceu ainda na manhã daquele dia.

Natural de Senhor do Bonfim, no norte do estado, Glauber ingressou na Polícia Militar em 2009 e acumulava mais de 16 anos de serviço. Colegas o descreviam como um profissional experiente, comprometido e equilibrado, características valorizadas em uma região marcada por operações frequentes e de alto risco. Ele deixa dois filhos pequenos e uma família que agora enfrenta o impacto irreversível da violência que atravessa o cotidiano de quem escolheu a carreira policial na Bahia.

O episódio ocorreu em uma das localidades de maior tensão armada da cidade, onde disputas entre facções pelo controle do tráfico costumam gerar confrontos quase diários. A guarnição foi surpreendida por disparos durante patrulhamento, o que desencadeou reação imediata dos policiais. Após o ferimento grave do cabo, o policiamento na área foi reforçado de forma expressiva, resultando em uma operação de maior proporção que terminou com a morte de pelo menos oito suspeitos em confrontos ocorridos nas horas seguintes.

A morte do cabo Glauber Rosa Santos não é um caso isolado. Ela se soma a um histórico preocupante de policiais baianos mortos ou gravemente feridos em serviço nos últimos anos, revelando tanto a crescente ousadia de organizações criminosas quanto os limites das estratégias atuais de enfrentamento à criminalidade violenta. A letalidade dos embates em comunidades carentes continua a cobrar um preço altíssimo, afetando simultaneamente agentes de segurança e moradores das áreas mais vulneráveis.

A Secretaria de Segurança Pública e o comando da Polícia Militar manifestaram publicamente profundo pesar pela perda do militar e reafirmaram o compromisso de oferecer todo o suporte necessário à família. O sepultamento está previsto para ocorrer em Senhor do Bonfim, cidade onde Glauber mantinha fortes laços afetivos e onde será lembrado por parentes, amigos e ex-colegas de infância.

Casos como esse geram comoção imediata entre os próprios policiais e entre parte significativa da população que convive diariamente com a presença ostensiva da PM. Ao mesmo tempo, reacendem questionamentos antigos sobre a necessidade de políticas de segurança mais abrangentes, que combinem inteligência policial, prevenção, capacitação constante e melhores condições de trabalho, na tentativa de reduzir tanto o número de mortes de policiais quanto a violência que atinge comunidades inteiras.

A perda do cabo Glauber Rosa Santos representa mais um capítulo doloroso na história recente da segurança pública na Bahia. Seu nome passa a fazer parte da longa relação de agentes que deram a vida no exercício da profissão, enquanto a sociedade segue em busca de caminhos que possam romper o ciclo de violência que continua a marcar a vida de tantos baianos de ambos os lados do conflito.

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