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Identificadas as 16 pessoas que morreram em acidente com ônibus em AL

O que era para ser uma viagem de fé, marcada por promessas, orações e esperança, acabou se transformando em um episódio de profunda tristeza no interior de Alagoas. Um grupo de romeiros retornava de Juazeiro do Norte, no Ceará, quando o ônibus em que estavam se envolveu em um grave acidente na rodovia AL-220, em um trecho conhecido como Curva do S, no Distrito Caboclo, em São José da Tapera. A estrada, sinuosa e já conhecida por motoristas da região, voltou a ser cenário de luto.

Segundo informações confirmadas pelas autoridades, 16 pessoas perderam a vida. Entre elas, crianças que viajavam com familiares, cheias de expectativa após participar de uma romaria tradicional. Uma das vítimas, uma criança de quatro anos, chegou a ser socorrida, mas não resistiu. O impacto da notícia se espalhou rapidamente, causando comoção não só na cidade de origem do grupo, mas em todo o estado.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que o veículo envolvido no acidente operava de forma irregular. O ônibus não possuía autorização para transporte interestadual, nem certificado de segurança veicular válido, além de estar sem seguro de responsabilidade civil em vigor. Também não havia licença para a viagem realizada. Esses pontos levantaram um alerta imediato sobre as condições em que o transporte foi feito e sobre a fiscalização desse tipo de serviço.

Em contrapartida, o prefeito de Coité do Nóia, município de onde saíram os romeiros, afirmou que a contratação do transporte ocorreu de maneira legal, por meio de licitação. Segundo ele, o ônibus apresentava boa estrutura e oferecia conforto aos passageiros. O gestor destacou ainda que muitas das vítimas tinham relação próxima com a administração municipal e que o grupo retornava de uma romaria dedicada a Nossa Senhora das Candeias, tradição que mobiliza famílias inteiras todos os anos.

Diante da tragédia, a prefeitura passou a oferecer apoio direto às famílias. Representantes da gestão estiveram presentes em hospitais e no Instituto Médico Legal, acompanhando de perto os procedimentos. Também foi organizada a doação de caixões e o planejamento de um velório coletivo no ginásio de esportes da cidade, como forma de prestar uma última homenagem e permitir que a comunidade se despeça de forma conjunta.

As vítimas foram identificadas como Adelmo José de Oliveira, Claudiana Maria da Silva Bastos, Cleusa Simão Lima, Cícero Barbosa de Lima, Edivania da Silva Lima, Francisco Izidoro da Silva, Jamilly da Silva Bastos, José Caio de Oliveira Souza, José Welliton Barbosa Louriano, Josefa Madalena de Alcantara, Luiz Miguel Alcântara, Maria do Socorro Santos, Maria Gorete Rodrigues Izidoro da Silva, Maria Manuella de Souza Oliveira, Vandete Maria da Silva e Sebastião Vieira de Morais Neto. Nomes que agora representam histórias interrompidas e famílias enlutadas.

As equipes do Corpo de Bombeiros e do Departamento Estadual de Aviação atuaram no resgate, em uma operação que exigiu rapidez e cuidado. A dinâmica exata do acidente ainda está sendo investigada, mas relatos iniciais apontam que o motorista teria perdido o controle do veículo durante o trajeto de retorno.

O governador de Alagoas decretou luto oficial de três dias, refletindo o impacto do ocorrido. Mais do que números, o episódio reacende um debate urgente sobre a segurança no transporte de passageiros, especialmente em viagens longas e intermunicipais. Em meio à dor, fica o apelo por fiscalização rigorosa e responsabilidade, para que trajetos de fé não voltem a terminar em tragédia.

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