Defesa dos adolescentes diz que morte do cão Orelha teve outra causa

No desdobramento mais recente do chamado Caso Orelha, a defesa dos adolescentes investigados pela morte do cão comunitário apresentou uma nova versão dos fatos às autoridades. Segundo os advogados, o animal não teria sido vítima de agressões intencionais, mas sim de um atropelamento ocorrido nas proximidades do local onde o corpo foi encontrado. A alegação busca afastar a hipótese de maus-tratos e crueldade, que vinha sendo considerada no curso das investigações e que gerou forte comoção pública.
De acordo com a argumentação apresentada, a morte do cão Orelha teria ocorrido de forma acidental, sem participação direta dos adolescentes apontados inicialmente pelas imagens de câmeras de segurança e por relatos de moradores. A defesa sustenta que não há provas técnicas conclusivas que confirmem a prática de violência deliberada contra o animal, afirmando que os ferimentos observados poderiam ser compatíveis com um impacto provocado por veículo automotor. Essa linha de defesa foi formalmente anexada aos autos e será analisada pela polícia.
O caso ganhou ampla repercussão após a divulgação de vídeos que mostrariam adolescentes envolvidos em episódios anteriores de agressão a outro cão na mesma região. Essas imagens levaram parte da opinião pública a associar automaticamente os suspeitos à morte de Orelha, o que, segundo os advogados, contribuiu para um julgamento social antecipado. A defesa afirma que essa associação carece de base técnica e jurídica sólida, reforçando a necessidade de aguardar a conclusão oficial do inquérito policial.
As autoridades responsáveis pela investigação informaram que a apuração segue em andamento e que nenhuma hipótese foi descartada até o momento. Laudos periciais, depoimentos de testemunhas e análises de imagens continuam sendo reunidos para esclarecer as circunstâncias exatas da morte do animal. A polícia também avalia se há contradições entre os relatos apresentados e as evidências já coletadas, incluindo registros de câmeras e informações médicas veterinárias.
Especialistas em direito penal e proteção animal ressaltam que casos dessa natureza exigem cautela redobrada, sobretudo quando envolvem adolescentes. Além da apuração criminal, o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê tratamento diferenciado para menores de idade, priorizando medidas socioeducativas, caso haja comprovação de ato infracional. Ao mesmo tempo, a legislação brasileira considera crime os maus-tratos a animais, o que torna essencial a correta tipificação dos fatos.
A repercussão do Caso Orelha também reacendeu debates sobre a responsabilidade coletiva na proteção de animais comunitários e sobre o papel das redes sociais na amplificação de acusações ainda sob investigação. Entidades de defesa animal cobram rigor na apuração e transparência das autoridades, enquanto alertam para os riscos de disseminação de informações não confirmadas. Por outro lado, juristas destacam a importância da presunção de inocência, princípio fundamental do Estado de Direito.
Enquanto a investigação avança, o caso segue sendo acompanhado de perto pela imprensa e pela sociedade. Novos esclarecimentos devem ser divulgados à medida que os laudos técnicos forem concluídos e analisados. Até lá, a versão apresentada pela defesa dos adolescentes passa a integrar oficialmente o processo, cabendo às autoridades determinar se a morte do cão Orelha foi resultado de um acidente de trânsito ou de um ato deliberado de violência.



