Cão Orelha: Polícia pede internação de jovem responsável pelo assassinato

A Polícia Civil de Santa Catarina solicitou a internação de um adolescente apontado como responsável pela morte do cão comunitário Orelha, caso que gerou forte comoção em Florianópolis. A medida foi tomada após a conclusão do inquérito, finalizado nesta terça-feira (3), e encaminhada ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. A internação, prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é uma medida socioeducativa aplicada em situações consideradas graves, equivalente à restrição de liberdade no sistema adulto.
As investigações foram conduzidas pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (Deacle) em conjunto com a Delegacia de Proteção Animal (DPA). Segundo a polícia, a decisão de representar pela internação levou em conta os elementos reunidos ao longo das apurações, incluindo laudos periciais, depoimentos e análises de imagens. O objetivo é garantir que o caso tenha o devido encaminhamento judicial, respeitando os ritos específicos aplicáveis a menores de idade.
O inquérito também apura um segundo episódio envolvendo outro cachorro da região, conhecido como Caramelo, que conseguiu escapar. Nesse caso, a Polícia Civil apresentou representação contra quatro adolescentes. As duas ocorrências foram tratadas de forma integrada pelos investigadores, que buscaram entender a dinâmica dos fatos e o possível envolvimento de cada um dos jovens citados nos autos.
Além dos adolescentes, três adultos foram indiciados por suposta coação de testemunha. Eles são suspeitos de tentar influenciar um trabalhador que poderia contribuir com as investigações, dificultando a entrega de informações às autoridades. Esse desdobramento ampliou o alcance do inquérito e reforçou a preocupação dos investigadores com possíveis interferências externas durante a apuração dos fatos.
De acordo com a Polícia Civil, ao todo 24 testemunhas foram ouvidas ao longo do processo investigativo, e oito adolescentes chegaram a ser analisados como possíveis envolvidos. Com o avanço das diligências, parte deles foi descartada por falta de indícios. A identificação do principal suspeito no caso de Orelha ocorreu após a análise de imagens de câmeras de segurança, que permitiram associar características das roupas utilizadas no momento do ocorrido ao adolescente representado.
O cão Orelha era conhecido na Praia Brava por ser cuidado de forma coletiva por moradores da região. Ele foi encontrado em situação crítica na madrugada do dia 4 de janeiro, por volta das 5h30, e socorrido por pessoas que viviam nas proximidades. O animal chegou a ser encaminhado a uma clínica veterinária, mas não resistiu. O episódio mobilizou a comunidade local e provocou manifestações pedindo justiça e maior proteção aos animais.
Com o encerramento do inquérito policial, o caso agora segue para análise do Ministério Público e da Justiça, que decidirão sobre a aplicação das medidas cabíveis. Por envolver menores, os detalhes processuais seguem sob sigilo, conforme determina a legislação. A expectativa é que as decisões judiciais tragam uma resposta institucional ao episódio, enquanto o caso continua a alimentar debates sobre responsabilidade juvenil, educação e políticas de proteção animal.



