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Cão Orelha: Novo vídeo mostra adolescente voltando ao condomínio e expõe contradição

Um novo capítulo do caso que comoveu moradores da Praia Brava, no norte de Florianópolis, veio à tona nesta semana e trouxe mais clareza — e também mais indignação — sobre o que aconteceu com o cão comunitário conhecido como Orelha. A Polícia Civil de Santa Catarina divulgou imagens de câmeras de segurança que colocam em xeque o depoimento do adolescente apontado como responsável pelo ocorrido.

No interrogatório, o jovem afirmou que não havia saído do condomínio no dia dos fatos. As imagens, no entanto, contam outra história. Os registros mostram o garoto deixando o local e retornando algum tempo depois, em horários que coincidem com o período investigado. Para os policiais, o vídeo não é um elemento isolado: ele se soma a relatos de testemunhas e a outras provas reunidas ao longo da apuração.

Na terça-feira, dia 3, a Polícia Civil anunciou oficialmente a conclusão do inquérito. Como o principal investigado é menor de idade, o pedido encaminhado à Justiça foi de internação provisória por atos infracionais análogos ao crime de maus-tratos. A medida segue o que prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente em situações consideradas graves e com indícios consistentes.

Um detalhe que chamou atenção durante a investigação foi o fato de o adolescente estar fora do país quando surgiram os primeiros desdobramentos do caso. Ele havia viajado ao exterior e, ao retornar ao Brasil, acabou sendo interceptado no aeroporto para prestar esclarecimentos. Segundo a Polícia Civil, a viagem não impediu o avanço das investigações, que continuaram com base em imagens, perícias e depoimentos.

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Além do adolescente, outros três adultos foram indiciados por coação à testemunha. De acordo com a polícia, familiares do garoto teriam tentado interferir no andamento da apuração. Entre as ações investigadas está a tentativa de esconder peças de roupa usadas no dia do ocorrido e a alegação de que um moletom, visto em imagens de segurança, teria sido comprado durante a viagem internacional — versão que não convenceu os investigadores.

O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais e em grupos de moradores da região, especialmente porque Orelha não era um animal qualquer. Ele era um cachorro comunitário, conhecido por frequentar a Praia Brava e conviver pacificamente com moradores e comerciantes locais. No dia 4 de janeiro, Orelha foi encontrado gravemente ferido e levado às pressas a uma clínica veterinária. Apesar do atendimento, ele não resistiu.

A perícia indicou que o cão sofreu uma pancada forte na cabeça, compatível com um chute ou com o uso de um objeto rígido. A partir desse laudo, a Polícia Civil conseguiu avançar na linha de investigação que levou à identificação do adolescente como responsável.

Como se não bastasse, o inquérito também revelou outros episódios preocupantes. Quatro outros garotos foram indiciados por atos infracionais semelhantes envolvendo outro cachorro, chamado Caramelo, na mesma região. Segundo a apuração, o animal teria sido submetido a agressões e jogado por cima de um muro com cerca de um metro e meio de altura. Felizmente, neste caso, o desfecho não foi fatal.

O conjunto desses episódios acendeu um alerta entre autoridades, moradores e defensores da causa animal. Mais do que um caso isolado, a investigação expõe comportamentos que exigem resposta firme do poder público, mas também reflexão da sociedade sobre educação, empatia e responsabilidade. O caso Orelha, ao que tudo indica, ainda deve repercutir por bastante tempo.

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