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Romário revela preocupação em declaração pública

Romário voltou a chamar atenção ao falar publicamente sobre temas que misturam futebol e política, dois territórios que ele conhece bem — e onde costuma entrar sem pedir licença. Em conversas recentes com interlocutores próximos, o ex-jogador e atual senador deixou claras suas preocupações tanto com o cenário político nacional quanto com os rumos do futebol brasileiro, especialmente no que envolve Neymar, a Seleção Brasileira e o próprio funcionamento do Senado.

No campo político, Romário tem demonstrado incômodo com o que classifica como excessiva interferência de interesses partidários em pautas que deveriam ser tratadas como políticas de Estado. Segundo ele, o ambiente no Congresso segue contaminado por disputas eleitorais permanentes, o que dificulta avanços concretos em áreas como esporte, educação e inclusão social. Para o senador, há um descompasso evidente entre o que se discute em Brasília e o que realmente impacta a vida da população.

Ao falar do Senado, Romário não esconde a frustração com a lentidão dos processos e a resistência a mudanças estruturais. Ele critica o que considera acordos de conveniência e jogos de bastidores que travam projetos relevantes, inclusive aqueles ligados ao esporte. Na avaliação do ex-atacante, o futebol brasileiro é frequentemente usado como discurso político, mas raramente tratado com seriedade quando chega à mesa de decisões institucionais.

O nome de Neymar surge nesse contexto como símbolo de um problema maior. Romário demonstra preocupação com a forma como o craque é constantemente colocado no centro das expectativas da Seleção, mesmo em meio a lesões recorrentes e incertezas físicas. Para ele, o Brasil segue refém da ideia de um salvador individual, enquanto negligencia a construção de um projeto coletivo mais sólido, tanto dentro quanto fora de campo.

Essa dependência excessiva de Neymar, segundo Romário, expõe a falta de planejamento da Confederação Brasileira de Futebol ao longo dos últimos anos. O senador avalia que a Seleção perdeu identidade, alternando técnicos, estilos de jogo e discursos, sem um projeto de longo prazo. Para alguém que viveu gerações marcantes do futebol nacional, a ausência de renovação consistente soa como um alerta vermelho.

Romário também aponta que a politização excessiva do futebol contribui para esse cenário. Dirigentes, patrocinadores e agentes políticos disputam espaço e influência, enquanto questões técnicas e formativas ficam em segundo plano. Na sua visão, o resultado é um futebol cada vez mais distante da base, da criatividade e da ousadia que marcaram a história da Seleção Brasileira.

Mesmo com o tom crítico, Romário não se coloca à margem do debate. Pelo contrário: ele reforça que continuará usando o mandato para provocar discussões incômodas, seja sobre gestão esportiva, seja sobre responsabilidade política. Para ele, o erro não está em misturar futebol e política, mas em fazer isso de forma oportunista, sem compromisso com resultados concretos.

No fim das contas, as preocupações de Romário passam menos por nomes específicos e mais por estruturas. Neymar, o Senado e a Seleção acabam funcionando como espelhos de um mesmo problema: a dificuldade do Brasil em planejar, sustentar projetos e cobrar responsabilidade de quem ocupa posições de poder. Dito de forma direta, no estilo que lhe é característico, talento não falta — o que segue escasso é gestão.

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