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Revelação no caso Orelha e Caramelo termina em indignação

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu as investigações sobre as mortes dos cães Orelha e Caramelo, casos que mobilizaram moradores da Praia Brava, em Florianópolis, e geraram ampla repercussão nas redes sociais. De acordo com informações confirmadas pelo governo estadual, o relatório final, com o detalhamento das responsabilidades e dos indiciamentos por maus-tratos, deve ser divulgado oficialmente ainda nesta terça-feira (3). A expectativa em torno do documento é alta, já que o episódio provocou forte comoção e pedidos por respostas rápidas das autoridades.

Segundo a corporação, a autoria dos atos foi atribuída a adolescentes. Por envolver menores de idade, a investigação segue sob sigilo, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Até o momento, a polícia não divulgou o número exato de jovens envolvidos nem a participação individual de cada um. As informações completas devem constar apenas nos autos do procedimento, acessíveis às partes e ao Judiciário, respeitando as restrições legais.

O caso de Orelha teve grande impacto na comunidade local. O animal era conhecido por circular pela região e receber cuidados de moradores, que se revezavam para oferecer alimento e abrigo. Ele foi encontrado em estado crítico no início de janeiro, o que gerou uma onda de indignação e mobilização popular. O laudo pericial confirmou que a causa da morte foi um ferimento provocado por um objeto contundente, conclusão que reforçou a gravidade do episódio e a necessidade de apuração rigorosa.

Inicialmente, quatro jovens eram alvo das investigações. No entanto, na última sexta-feira (30), um deles foi excluído do inquérito após a polícia concluir que não havia elementos suficientes que indicassem sua participação. A decisão foi tomada com base na análise de imagens e depoimentos coletados ao longo das diligências. Com isso, o foco se concentrou nos demais adolescentes apontados como responsáveis.

Para chegar aos indícios de autoria, os investigadores analisaram aproximadamente mil horas de gravações de câmeras de segurança da região. Embora não houvesse registro direto do momento exato dos maus-tratos, a polícia utilizou imagens de outros episódios de desordem atribuídos ao mesmo grupo para traçar o deslocamento dos suspeitos e montar a linha do tempo dos fatos. O cruzamento de horários, locais e depoimentos foi fundamental para sustentar as conclusões do inquérito.

Além dos adolescentes, três adultos — pais e um tio de investigados — foram indiciados por suposta coação no curso do processo. Eles são suspeitos de tentar pressionar um funcionário de condomínio para impedir que uma imagem, que poderia contribuir com as investigações, fosse entregue às autoridades. Esse desdobramento adicionou um novo elemento ao caso, ampliando o alcance das apurações para além dos atos praticados contra os animais.

A divulgação do relatório final deve trazer mais clareza sobre os próximos passos judiciais. Por envolver menores, o caso seguirá os trâmites específicos da Vara da Infância e da Juventude, com medidas socioeducativas podendo ser aplicadas conforme a decisão judicial. Enquanto isso, a comunidade segue acompanhando atentamente o desfecho, em meio a debates sobre proteção animal, responsabilidade familiar e a importância de políticas educativas para prevenir episódios semelhantes.

 

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