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Responsável pela morte do cão Orelha é identificado pela Polícia Civil

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu a investigação sobre a morte do cão comunitário conhecido como Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis, e atribuiu a responsabilidade pelo crime a adolescentes. O resultado do inquérito foi divulgado após semanas de apuração e intensa comoção social, já que o animal era bastante conhecido e querido por moradores e frequentadores da região. Em razão de os suspeitos serem menores de idade, detalhes como nomes, idades e número exato de envolvidos não foram oficialmente divulgados, em respeito ao que determina o Estatuto da Criança e do Adolescente.

O cão Orelha morreu no início de janeiro, após ser encontrado em estado grave por moradores da Praia Brava. Segundo relatos, ele apresentava sinais evidentes de agressão e foi levado às pressas para atendimento veterinário, mas não resistiu aos ferimentos. O laudo pericial apontou que o animal sofreu um trauma severo na cabeça, provocado por um objeto contundente, o que reforçou a tese de maus-tratos intencionais. A brutalidade do caso gerou revolta e mobilizou protestos em Florianópolis e em diversas outras cidades do país.

Durante a investigação, a Polícia Civil analisou um grande volume de imagens de câmeras de segurança instaladas na região. Foram centenas de horas de gravações examinadas, em um trabalho considerado minucioso e complexo. Apesar de não haver registros diretos do momento exato das agressões, a polícia conseguiu reconstruir a dinâmica dos fatos a partir de imagens anteriores e posteriores ao crime, além de depoimentos de testemunhas e outros elementos colhidos ao longo do inquérito.

Inicialmente, a apuração apontava para a possível participação de quatro adolescentes. No entanto, no decorrer das investigações, um deles foi excluído da lista de suspeitos, após a polícia concluir que não havia indícios suficientes de envolvimento direto nos maus-tratos que levaram à morte do animal. Ainda assim, a corporação manteve a responsabilização de outros adolescentes, cujas condutas foram consideradas compatíveis com os fatos apurados.

Além da responsabilização dos menores, a Polícia Civil também indiciou três adultos por suposta tentativa de coagir uma testemunha do caso. De acordo com a investigação, essas pessoas — dois pais e um tio de adolescentes envolvidos — teriam pressionado um vigilante de condomínio que possuía informações relevantes para o esclarecimento do crime. A coação de testemunha é tratada como um agravante sério, pois pode comprometer a produção de provas e o andamento da Justiça.

Orelha era um cão comunitário que vivia há cerca de dez anos na Praia Brava. Cuidado coletivamente por moradores, comerciantes e turistas, ele era conhecido por seu comportamento dócil e por acompanhar a rotina do bairro. Segundo pessoas que conviviam com o animal, Orelha fazia parte da identidade local, sendo presença constante nas ruas e alvo de carinho por quem passava pela região. Sua morte foi descrita por moradores como uma perda simbólica para a comunidade.

A conclusão do inquérito não encerra o debate levantado pelo caso. O episódio reacendeu discussões sobre violência contra animais, responsabilidade de adolescentes por atos graves, papel das famílias e a necessidade de políticas públicas voltadas à educação, prevenção e punição de maus-tratos. Mesmo com a preservação do sigilo legal, a expectativa da sociedade é de que o caso sirva como exemplo de que crimes dessa natureza não ficarão impunes, independentemente da idade dos envolvidos.

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