Cão orelha: Polícia toma decisão contra um dos adolescentes

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu a investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis, no início de janeiro de 2026. O caso, que gerou comoção nacional, envolveu agressões brutais que levaram à eutanásia do animal, um vira-lata de cerca de 10 anos conhecido por sua docilidade e por ser mascote da região turística. Após semanas de apuração intensiva, as autoridades identificaram os responsáveis e tomaram medidas judiciais, destacando a importância da proteção animal em casos de maus-tratos.
Orelha era um cão comunitário, cuidado coletivamente pelos moradores e visitantes da Praia Brava. Ele representava um símbolo de alegria no bairro, interagindo amigavelmente com as pessoas e tornando-se parte integrante da rotina local. No entanto, no dia 4 de janeiro, o animal foi encontrado em estado crítico, com lesões graves na cabeça causadas por um objeto contundente. Apesar dos esforços veterinários, sua condição irreversível exigiu a eutanásia, o que mobilizou manifestações e debates sobre crueldade contra animais em todo o país.
A investigação foi conduzida por uma força-tarefa envolvendo a Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei e a Delegacia de Proteção Animal, ambas na capital catarinense. Os policiais analisaram mais de mil horas de gravações de câmeras de segurança, ouviram 24 testemunhas e investigaram oito adolescentes suspeitos. Tecnologias avançadas, como um software francês para análise de localização, foram empregadas para reconstruir os fatos e identificar os envolvidos com precisão.
No caso específico de Orelha, um adolescente foi apontado como o principal autor das agressões fatais. A Polícia Civil solicitou sua internação provisória, medida equivalente à prisão preventiva para maiores de idade, considerando a gravidade do ato. Essa decisão reflete a aplicação da legislação de proteção animal, que classifica maus-tratos como crime, e busca responsabilizar os jovens de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Paralelamente, o inquérito apurou um incidente envolvendo outro cão, chamado Caramelo, que sofreu uma tentativa de afogamento na mesma região. Quatro adolescentes foram identificados como responsáveis, mas não houve pedido de internação nesse episódio. As autoridades enfatizaram que os casos, embora relacionados pela proximidade geográfica e temporal, foram tratados de forma independente, com base nas evidências coletadas.
Além dos adolescentes, três adultos – familiares dos investigados, incluindo pais e um tio – foram indiciados por coação de testemunhas durante o processo investigativo. Essa acusação destaca tentativas de interferir na apuração, o que agravou a situação e demonstrou a complexidade do caso, envolvendo não apenas os atos diretos de violência, mas também obstrução à justiça.
O desfecho da investigação reforça o compromisso das instituições catarinenses com o combate à violência contra animais, servindo como exemplo para casos semelhantes. A remessa dos inquéritos ao Ministério Público e ao Judiciário abre caminho para julgamentos que podem promover maior conscientização social, incentivando a denúncia de maus-tratos e a adoção de medidas preventivas em comunidades.



