Quem é pai de crianças de Bacabal e ele tá envolvido?

O desaparecimento de duas crianças em Bacabal, no interior do Maranhão, segue mobilizando moradores, autoridades e chamando a atenção de quem acompanha o caso à distância. Passados 27 dias desde que Ágatha Isabelly, de seis anos, e Allan Michael, de quatro, sumiram, novas informações ajudaram a esclarecer pontos importantes, especialmente sobre a família das crianças e o papel dos pais nesse episódio que ainda levanta muitas perguntas.
Nos últimos dias, a jornalista Mary Coymbra, que atua em Bacabal e mantém contato frequente com a mãe das crianças, Clarice Cardoso, trouxe detalhes que ajudam a entender melhor o contexto familiar. Segundo ela, Clarice é mãe de três filhos. Além de Ágatha e Allan, há um menino mais velho, de oito anos. Embora os dois pequenos sejam criados juntos, eles são irmãos apenas por parte de mãe e têm pais diferentes.
Mary explica que Clarice teve um primeiro casamento ainda muito jovem. Dessa relação nasceram o filho mais velho e Ágatha Isabelly. O casamento não deu certo e, algum tempo depois, Clarice teve um relacionamento breve com o pai de Allan Michael, que não mora no povoado onde a família vive atualmente. Esse dado, que circulava de forma confusa nas redes sociais, foi confirmado para evitar especulações e julgamentos precipitados.
Um ponto que tem gerado comentários é a participação dos pais nas buscas. De acordo com a jornalista, o pai de Ágatha Isabelly mora na comunidade e participa ativamente das procurações desde o primeiro dia. Ele não é considerado suspeito e tem sido visto constantemente ao lado de moradores e equipes envolvidas nas buscas. Já Clarice, a mãe, não está participando diretamente das ações no mato por não ter autorização. Além disso, ela acredita firmemente que os filhos não se perderam ali. Por conta de julgamentos e comentários sobre sua aparência e comportamento, ela também optou por não conceder entrevistas no momento.
Em relação a Allan Michael, o pai não tem participado das buscas. No entanto, segundo Mary Coymbra, isso não o coloca como suspeito. Ele mora fora do estado e já foi ouvido pela polícia na cidade onde vive. Até agora, não há indícios que o liguem ao desaparecimento do filho.
Entre os moradores do povoado, há uma convicção que se repete em muitas conversas: as crianças não estariam na mata. A própria mãe reforça essa ideia, dizendo que os filhos conheciam bem a região. Para ela, alguém pode ter se aproveitado de uma oportunidade e levado as crianças. Ainda assim, Clarice afirma não conseguir apontar nenhuma pessoa específica que pudesse ter feito isso, o que aumenta ainda mais o sentimento de angústia.
O caso ganhou ainda mais complexidade porque, no dia 4 de janeiro, as crianças estavam com o primo Anderson Kauã, de oito anos. Ele foi encontrado três dias depois. Por ser autista, as informações que consegue fornecer são limitadas. Até agora, o relato dele à polícia indica que os três se perderam enquanto colhiam maracujás e que o último local onde viu os primos foi um casebre próximo à área. Cães farejadores identificaram o cheiro das crianças nesse ponto, seguindo apenas em direção ao rio Mearim.
A Marinha realizou buscas no rio, mas não encontrou vestígios. Anderson Kauã voltou para a comunidade, mas está em um local monitorado, com câmeras e presença constante da polícia, por precaução. Enquanto isso, Clarice segue cuidando do filho mais velho, tentando manter alguma rotina em meio à dor e à espera. Em Bacabal, a sensação é de que o tempo passa, mas as respostas ainda não chegam.



