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Durante missa, padre detona Nikolas Ferreira: ‘Quer o…’

O Santuário Nacional de Aparecida, um dos principais centros de devoção mariana do Brasil, tornou-se palco de uma declaração que rapidamente ganhou projeção nas redes sociais. Durante uma homilia recente, o padre Ferdinando Marcílio abordou temas sensíveis que envolvem a intersecção entre fé cristã, política e valores éticos. Suas palavras, proferidas no contexto de uma celebração litúrgica, questionaram atitudes que, em sua visão, contradizem os princípios fundamentais do Evangelho, gerando debates acalorados entre fiéis de diferentes espectros ideológicos.

A crítica central do sacerdote recaiu sobre uma recente mobilização política que envolveu uma longa caminhada até Brasília, liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira. Para o padre, iniciativas desse tipo, quando apresentadas como defesa da vida e da liberdade, podem esconder outras motivações menos nobres. Ele afirmou categoricamente que ações públicas assim, especialmente quando realizadas por quem não apresenta histórico consistente de projetos voltados ao bem comum, revelam na verdade uma busca pelo poder, e não um compromisso genuíno com o povo.

O religioso foi além ao questionar a autenticidade de discursos que invocam a defesa da vida enquanto ignoram ou relativizam outras formas de violência. Em sua homilia, ele destacou a incoerência de quem se declara cristão e, ao mesmo tempo, promove ou apoia medidas que facilitam o acesso a instrumentos destinados a ferir e matar. Para ele, tal postura configura uma contradição insanável com o ensinamento de Jesus, que enfatiza a paz, o perdão e a proteção dos mais vulneráveis.

O padre argumentou que o Evangelho não deixa margem para conciliar a fé com a cultura da morte. Ele recordou que o cristão é chamado a construir a fraternidade e a justiça social, priorizando a vida em todas as suas dimensões. Apoiar o armamento generalizado, segundo sua interpretação, vai de encontro direto a esse chamado, pois a arma tem como finalidade principal o dano ou a eliminação do outro, o que se opõe radicalmente ao mandamento do amor ao próximo.

A repercussão do discurso foi imediata e polarizada. Enquanto setores progressistas e parte dos católicos aplaudiram a coragem do padre em confrontar o uso político da religião, vozes conservadoras o acusaram de parcialidade e de transformar o púlpito em tribuna ideológica. O vídeo da homilia circulou amplamente, alimentando discussões sobre os limites da fala religiosa em tempos de intensa politização e sobre o papel da Igreja diante de disputas partidárias.

O episódio evidencia uma tensão maior presente na sociedade brasileira atual: a apropriação de símbolos e valores religiosos por diferentes campos políticos. Declarações como a do padre Ferdinando Marcílio lembram que a fé não pode ser reduzida a instrumento de mobilização eleitoral ou de legitimação de agendas específicas, mas deve permanecer ancorada na defesa da dignidade humana integral.

Por fim, a fala no Santuário de Aparecida reforça a relevância do discernimento ético em um contexto de polarização extrema. Independentemente das concordâncias ou discordâncias, o pronunciamento do sacerdote convida cristãos e não cristãos a refletir sobre a coerência entre discurso e prática, entre a invocação da fé e as escolhas concretas que afetam a vida em sociedade.

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