Delegado chora ao detalhar caso de piloto que agrediu adolescente

O caso envolvendo o ex-piloto Pedro Arthur Turra Basso e um adolescente internado em estado grave voltou a ganhar destaque nesta sexta-feira (30/1), durante uma coletiva de imprensa marcada por emoção, silêncio e pedidos por justiça. Responsável pela investigação, o delegado Pablo Aguiar, da 38ª Delegacia de Polícia de Vicente Pires, não conteve as lágrimas ao falar sobre o episódio. Diante das câmeras, ele deixou de lado o tom técnico habitual e falou como pai, como cidadão e como alguém profundamente impactado pelo que viu nos autos.
Segundo o delegado, o sentimento que o move é a “dor de um pai”. Em sua fala, Pablo demonstrou esperança de que o Judiciário e o Ministério Público analisem o caso com mais atenção e sensibilidade. Para ele, não se trata apenas de um processo criminal, mas de um episódio que exige uma resposta firme das instituições, especialmente diante da gravidade do estado de saúde da vítima, que segue internada na UTI de um hospital em Águas Claras.
O fato ocorreu na madrugada de quinta-feira (22/1), após uma festa em Vicente Pires. De acordo com as investigações, houve uma discussão após Pedro Turra arremessar um chiclete em outra pessoa. O adolescente afirmou que, se a situação tivesse sido direcionada a ele, a conversa teria sido diferente. Pouco depois, imagens mostram Pedro saindo do carro e partindo para a agressão. O jovem sofreu diversos golpes e, desde então, permanece hospitalizado, em uma situação que preocupa familiares e autoridades.
Pedro chegou a ser detido, mas foi liberado posteriormente, decisão que causou revolta e apreensão entre os envolvidos no caso. Durante a coletiva, além do delegado, estiveram presentes o advogado da família e o tio da vítima, Flávio Henrique Torminn. Todos demonstraram expectativa em relação a um possível pedido de prisão preventiva, visto como uma medida necessária para garantir segurança e evitar novos episódios semelhantes.
Flávio destacou que não se trata de um fato isolado. Segundo ele, relatos anteriores envolvendo o ex-piloto, divulgados recentemente, apontam para um comportamento recorrente. Na avaliação da família, essa repetição estaria ligada à sensação de impunidade. “Quando não há consequência, a pessoa se sente autorizada a repetir”, comentou o tio, em tom contido, mas firme.
O advogado da família trouxe outro ponto preocupante. De acordo com ele, após a soltura de Pedro, mais de dez possíveis vítimas teriam procurado orientação jurídica, mas desistiram de registrar ocorrência por medo. O receio de retaliações e a falta de confiança em uma resposta rápida do sistema acabaram silenciando essas pessoas, o que, na visão da defesa, agrava ainda mais o cenário.
Outro momento que gerou indignação foi a divulgação de um vídeo em que Pedro pede desculpas. O material foi compartilhado amplamente por sua defesa, mas não convenceu a família da vítima. Para Flávio, o conteúdo foi superficial e teve mais efeito midiático do que prático. Ele afirma que o objetivo da agressão foi humilhar não apenas o adolescente, mas também seus familiares, algo que, segundo ele, não se apaga com palavras ensaiadas.
O caso segue sob investigação, enquanto a família aguarda respostas e a recuperação do jovem. Em meio a emoções à flor da pele, o choro do delegado acabou simbolizando o sentimento de muitos: a expectativa de que justiça não seja apenas um conceito distante, mas uma ação concreta diante de situações que chocam pela brutalidade e pelo impacto humano que carregam.



