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Crianças desaparecidas no MA: falta de pistas desafia força-tarefa após 25 dias de buscas

As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de apenas 4, chegaram ao 25º dia nesta quarta-feira (28) sem que qualquer vestígio concreto sobre o paradeiro das crianças fosse encontrado. O caso, que mobilizou forças de segurança e voluntários desde o início de janeiro, segue cercado de incertezas, silêncio e muita expectativa por respostas.

Desde o desaparecimento, ocorrido no dia 4 de janeiro, no povoado São Sebastião dos Pretos, zona rural de Bacabal, no Maranhão, uma verdadeira força-tarefa foi montada. Nos primeiros 20 dias, equipes percorreram mais de 200 quilômetros por terra e por água, enfrentando mata fechada, terrenos alagados e áreas de difícil acesso. Helicópteros sobrevoaram a região, barcos cortaram o Rio Mearim e cães farejadores ajudaram a mapear possíveis trajetos.

A Marinha atuou em cerca de 19 quilômetros do rio, com buscas subaquáticas e uso de tecnologia de varredura por ondas sonoras, o chamado side scan sonar. Apesar do esforço técnico e humano, nenhum indício conclusivo foi encontrado até agora. Com a finalização dessa etapa mais ampla, as buscas entraram em um novo momento, mais direcionado e integrado à investigação policial.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, as equipes seguem em prontidão e podem retomar ações específicas caso novas informações surjam. Ao todo, mais de mil pessoas participaram das operações, entre agentes estaduais, federais, militares, bombeiros e moradores da região que se voluntariaram desde os primeiros dias.

A principal linha de investigação, conforme explicou o delegado-geral adjunto operacional da Polícia Civil, Ederson Martins, é a de que as crianças tenham se perdido na mata. Apesar disso, outras hipóteses não são descartadas. Uma comissão especial, formada por delegados de São Luís e Bacabal, conduz o inquérito, que já reúne centenas de páginas e depoimentos.

Nos últimos dias, boatos passaram a circular nas redes sociais, levantando suspeitas infundadas sobre a família das crianças. As autoridades foram categóricas ao desmentir essas informações. De acordo com a Polícia Civil, a mãe e o padrasto não são investigados, e todas as pessoas ouvidas até o momento prestaram depoimento apenas como testemunhas. A divulgação de informações falsas, segundo o delegado, tem causado ainda mais sofrimento e colocado familiares em situação delicada.

Como parte da estratégia, a força-tarefa acionou o Protocolo Amber Alert, um sistema internacional de alerta para desaparecimento de crianças. A ferramenta permite a divulgação rápida de informações por meio de plataformas como Facebook e Instagram, alcançando usuários em um raio de até 200 quilômetros da região onde ocorreu o desaparecimento. O objetivo é ampliar o alcance das informações e facilitar o recebimento de possíveis pistas.

Um ponto importante da investigação veio do relato do primo das crianças, de 8 anos, que também se perdeu na mata e foi localizado dias depois. Com autorização judicial, ele contou que o grupo saiu para buscar maracujá e decidiu entrar por um caminho alternativo para evitar ser visto por um familiar. Esse trajeto levou até um local conhecido como “casa caída”, onde os cães farejadores confirmaram a passagem das crianças.

A partir dali, segundo o menino, o grupo acabou se desorientando. A distância, que parece curta no mapa, pode ter chegado a cerca de 12 quilômetros quando considerados os obstáculos naturais da região. O relato ajudou a reconstituir parte do caminho, mas ainda não foi suficiente para indicar o destino final de Ágatha e Allan.

Enquanto a investigação avança de forma cautelosa, a comunidade segue em vigília silenciosa. A esperança permanece viva, alimentada pela expectativa de que novas informações possam surgir e ajudar a esclarecer um dos casos mais acompanhados do mês no Maranhão.

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