Áudio traz revelações sobre o síndico que perseguia corretora antes de matá-la

A apuração do caso envolvendo a morte da corretora Daiane Alves, em Caldas Novas, trouxe à tona uma sequência de conflitos que se arrastava havia meses e que, aos poucos, foi ganhando contornos cada vez mais graves. O que inicialmente parecia apenas uma disputa profissional dentro de um condomínio acabou revelando um cenário de hostilidades contínuas, desgaste emocional e isolamento progressivo da vítima.
Segundo documentos do processo e registros obtidos pela investigação, o síndico Cléber Rosa de Oliveira teria adotado uma postura sistemática de perseguição contra Daiane antes do episódio que resultou em sua morte. O pano de fundo era uma combinação de desentendimentos pessoais e concorrência no mercado de locações por temporada, bastante aquecido na região turística de Caldas Novas, especialmente nesta época do ano.
Mensagens reunidas pelos investigadores mostram que Cléber utilizava grupos internos de comunicação para questionar a conduta profissional da corretora diante de proprietários de imóveis. Além disso, funcionários do condomínio teriam recebido orientações para dificultar o trabalho dela no dia a dia, como negar a entrega de chaves, atrasar autorizações e restringir o acesso a serviços administrativos básicos.
A estratégia, de acordo com a polícia, ia além do ambiente formal. Havia relatos de pressão direta sobre locadores, com insinuações de que serviços essenciais poderiam ser suspensos caso mantivessem vínculo com Daiane. Esse tipo de atitude, segundo especialistas ouvidos durante o inquérito, caracteriza uma tentativa clara de asfixia profissional, algo que impacta não apenas a renda, mas também a saúde emocional da pessoa atingida.
O clima de animosidade também acabou atingindo familiares da corretora. Registros policiais indicam que a mãe de Daiane foi alvo de comentários ofensivos em espaços coletivos do condomínio. Em uma das manifestações atribuídas ao síndico, ele afirmou: “Ela passou por cima das normas, até a mãe dela desrespeitou regras. Com ela eu não converso mais. Tudo tem limite”. A frase passou a integrar o conjunto de provas analisadas pelas autoridades.
Mesmo após decisões judiciais que asseguraram o direito de Daiane continuar exercendo sua atividade no local, o ambiente permaneceu tenso. Testemunhas relataram que o comportamento hostil não cessou, mantendo um padrão de boicotes e pressões psicológicas. Para investigadores, esse histórico é fundamental para compreender a escalada do conflito.
Na quarta-feira, 28 de janeiro, Cléber Rosa de Oliveira foi detido. Durante o procedimento, ele admitiu envolvimento direto na morte da corretora, ocorrida dentro do prédio onde ambos atuavam. O corpo de Daiane foi localizado posteriormente em uma área de vegetação às margens da rodovia que liga Caldas Novas a Catalão, conforme informado pela polícia.
O filho do suspeito, Maicon Douglas, também acabou preso. Segundo o inquérito, ele teria tentado dificultar o trabalho dos agentes e auxiliar o pai a deixar a cidade. Há indícios de que a saída já vinha sendo planejada nos dias anteriores.
O caso de Daiane Alves reacende um debate importante sobre conflitos prolongados em ambientes coletivos e os riscos da perseguição persistente. Especialistas apontam a necessidade de canais mais rápidos de proteção e mediação, capazes de interromper ciclos de hostilidade antes que situações irreversíveis aconteçam. Em meio à comoção, fica o alerta: disputas mal resolvidas podem ter consequências profundas quando ignoradas por tempo demais.



