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Caso Daiane: após síndico confessar que matou corretora, detalhes do crime são expostos

Casos de desaparecimento que se estendem por semanas costumam provocar um clima de inquietação difícil de ignorar. Quando a pessoa ausente tem uma rotina organizada, mantém contato frequente com amigos e familiares e não costuma “sumir” sem avisar, o alerta se acende rapidamente. Foi exatamente esse o cenário vivido em Caldas Novas, cidade conhecida pelo turismo e pela intensa convivência em condomínios residenciais, após o desaparecimento da corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos.

Daiane foi vista pela última vez no dia 17 de dezembro, uma data que, à época, não parecia ter nada de extraordinário. Com compromissos marcados e uma viagem programada para Uberlândia durante o período natalino, nada indicava que ela simplesmente deixaria de dar notícias. No entanto, o silêncio repentino, a falta de contato com a família e a ausência nas atividades habituais começaram a chamar atenção já nos primeiros dias.

A investigação avançou de forma gradual, cruzando informações, analisando imagens e ouvindo pessoas próximas. Após mais de um mês sem respostas concretas, o caso teve uma reviravolta significativa. O síndico do prédio onde Daiane morava, Cléber Rosa de Oliveira, de 49 anos, acabou admitindo envolvimento direto no ocorrido. Em depoimento, ele levou os investigadores até uma área de mata nos arredores da cidade, onde o corpo da corretora foi localizado em avançado estado de decomposição.

Segundo o relato apresentado à Polícia Civil, o episódio teria acontecido no subsolo do condomínio, local onde os dois mantinham contato frequente. Cléber afirmou que uma discussão intensa antecedeu o desfecho e sustentou a versão de que teria agido sozinho. No entanto, esse novo depoimento entrou em choque com declarações anteriores, nas quais ele negava ter saído do prédio naquela noite.

Imagens de câmeras de segurança analisadas pelos investigadores mostraram o síndico deixando o condomínio por volta das 20h, dirigindo seu veículo. A contradição reforçou as suspeitas e abriu espaço para novas linhas de apuração. Além dele, o filho, Maykon Douglas de Oliveira, também foi preso e passou a ser investigado por possível participação no caso.

Outro ponto considerado relevante foi o depoimento de um porteiro do prédio, que foi conduzido para prestar esclarecimentos. A polícia busca compreender, com precisão, o grau de envolvimento de cada pessoa citada ao longo da investigação. Para isso, foram realizadas diversas oitivas, além da análise minuciosa de dados técnicos e registros internos do condomínio.

Detalhes do cotidiano de Daiane também chamaram a atenção dos investigadores. Ela deixou o apartamento com a porta destrancada, vestindo roupas simples e sem levar objetos pessoais. Amigos relataram que a corretora tinha o hábito de gravar pequenos vídeos para avisar sobre deslocamentos, especialmente à noite. Uma dessas gravações teria sido feita no subsolo do prédio, mas não chegou a ser compartilhada e acabou desaparecendo.

Esses elementos, somados à ausência total de contato e ao descumprimento de compromissos importantes, levaram a polícia a tratar o caso como homicídio ainda durante a fase de apuração. O avanço das investigações trouxe respostas, mas também levantou questionamentos.

O caso reacende debates importantes sobre segurança, convivência e gestão de conflitos em ambientes condominiais. Situações de tensão, quando ignoradas ou subestimadas, podem ganhar proporções inesperadas. Em meio à comoção, fica o alerta para a importância de canais de diálogo, denúncias e acompanhamento adequado, antes que conflitos silenciosos se transformem em tragédias difíceis de reparar.

 

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