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ANJO DA MORTE? Veja como enfermeiro injetava desinfetante para matar pacientes em silêncio

A reconstituição pericial obtida pelo programa Fantástico trouxe novos detalhes sobre o caso que abalou o Hospital Anchieta, envolvendo o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos. Segundo a investigação, três pacientes que estavam internados na unidade morreram após receberem substâncias que não faziam parte dos tratamentos prescritos. O caso, ocorrido em novembro, está sendo tratado como um dos mais graves já registrados em ambiente hospitalar no Distrito Federal e segue sob investigação das autoridades.

De acordo com o laudo, o primeiro caso aconteceu na manhã de 17 de novembro, envolvendo a paciente Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos. Internada por constipação, ela estava consciente e conversando com familiares no início do dia. Imagens de câmeras de segurança mostram o técnico acessando o sistema do hospital com senhas de médicos ausentes para registrar a prescrição de um medicamento que não estava indicado para a paciente. Em seguida, ele foi à farmácia, retirou a substância e retornou ao leito.

Pouco depois da aplicação, a paciente apresentou uma parada cardíaca, sendo prontamente socorrida pela equipe de plantão. Cerca de 40 minutos depois, segundo a perícia, o profissional teria repetido a ação, resultando em nova parada cardíaca, novamente revertida. No início da tarde, outro paciente, João Clemente Pereira, de 63 anos, também teria recebido a mesma substância, passando por situação semelhante e sendo reanimado pela equipe médica.

No fim da tarde, Miranilde voltou a apresentar um quadro grave após nova intervenção. A investigação aponta que, além do medicamento, um produto de uso hospitalar não destinado à administração intravenosa também teria sido aplicado. Técnicas de enfermagem que estavam no local teriam presenciado a situação. Pouco tempo depois, a paciente não resistiu. O mesmo paciente, João Clemente, voltou a ter intercorrências ao longo da noite e da madrugada, falecendo no dia seguinte.

O terceiro caso envolveu Marcos Raimundo Moreira, carteiro internado com suspeita de pancreatite. Ele não apresentava histórico de problemas cardíacos, mas sofreu paradas cardiorrespiratórias em dias posteriores, também após atendimentos realizados pelo mesmo técnico, segundo o inquérito. A polícia afirma que a análise das imagens da UTI foi fundamental para identificar o padrão das ocorrências e relacionar os casos.

O hospital abriu uma sindicância interna assim que as mortes foram registradas, e o material foi encaminhado às autoridades. O delegado responsável afirmou que as imagens mostram o momento em que as substâncias foram administradas, sempre seguidas de reações imediatas nos pacientes. A investigação também apura a conduta de outras duas profissionais que estariam presentes em parte das ocorrências e não teriam comunicado imediatamente o que presenciaram.

Marcos Vinícius está preso temporariamente e, segundo a polícia, apresentou versões contraditórias em depoimento. As outras duas técnicas também foram encaminhadas ao sistema prisional, e suas defesas afirmam que irão apresentar esclarecimentos no decorrer do processo. Em nota, o Hospital Anchieta declarou solidariedade às famílias das vítimas e reforçou que os atos investigados não refletem os valores da instituição. O Conselho Regional de Enfermagem destacou que o caso é isolado e não representa a conduta da maioria dos profissionais, reafirmando o compromisso da categoria com a ética e o cuidado à vida.

 

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