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Domingo de luto: perdemos querido artista

A música brasileira amanheceu mais silenciosa neste domingo (25) com a morte de Ubirajara de Souza, conhecido no meio artístico como Bira Haway. Aos 74 anos, o produtor faleceu no Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, deixando um legado que atravessa décadas e ajudou a moldar o samba e o pagode como são conhecidos hoje. Reconhecido nos bastidores e respeitado nos palcos, Bira foi uma figura central na construção de carreiras e na consolidação de um movimento musical que ganhou o país.

Com uma trajetória marcada pela dedicação à música, Bira Haway começou sua caminhada artística como percussionista, ainda jovem, na efervescente noite paulistana. Foi nesse período que desenvolveu sensibilidade rítmica e um olhar atento para o potencial de novos talentos. O apelido que o acompanharia por toda a vida nasceu justamente dessa fase, inspirado no nome de um estúdio onde gravava com frequência, tornando-se uma marca pessoal e profissional dentro do cenário musical.

Além de instrumentista, Bira também atuou como cantor e intérprete de escolas de samba, função que exige carisma, preparo vocal e profundo conhecimento da tradição carnavalesca. Um dos momentos lembrados de sua carreira foi quando assumiu o microfone da Estácio, no primeiro ano de Ciça como mestre de bateria, participando de uma fase importante da escola. Essa vivência nos palcos e nas quadras contribuiu para que ele entendesse, como poucos, a essência do samba.

Foi a partir dos anos 1980 que Bira Haway consolidou seu nome como produtor musical, papel no qual deixou uma marca definitiva. Ele esteve por trás de projetos que ajudaram a levar o samba e o pagode das rodas de bairro para grandes públicos e emissoras de rádio. Trabalhou com grupos que se tornaram referência nacional, como Molejo, Exaltasamba, Soweto, Samprazer e Grupo Revelação, sempre com um estilo discreto, porém decisivo, na condução artística.

No âmbito pessoal, Bira também era conhecido por ser pai de Anderson Leonardo, vocalista do Grupo Molejo, que morreu em 2024. A relação entre pai e filho ultrapassava os laços familiares e se refletia em afinidade musical, respeito e admiração mútua. A perda recente do filho tornou ainda mais delicado o momento vivido pela família, que agora se despede de um dos seus pilares.

Nos últimos meses, o produtor enfrentou problemas de saúde e passou por procedimentos médicos, chegando a receber alta após um período de recuperação. Na última quarta-feira, no entanto, voltou a passar mal e foi atendido inicialmente na UPA da Cidade de Deus, onde os médicos identificaram um quadro de insuficiência cardíaca. Transferido para o Hospital Carlos Chagas, permaneceu sob cuidados até não resistir neste domingo.

A morte de Bira Haway representa o encerramento de um capítulo importante da história do samba e do pagode, mas sua contribuição permanece viva nas músicas, nos artistas que ajudou a revelar e no público que segue cantando esses sucessos. Em tempos de constante transformação na indústria musical, sua trajetória lembra a importância de quem trabalha com paixão, visão e compromisso com a cultura brasileira, deixando um legado que seguirá inspirando novas gerações.

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