Relato de primo muda rumo das buscas por crianças desaparecidas no Maranhão

O desaparecimento das crianças Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, chega ao 21º dia neste sábado e provocou uma mudança significativa na estratégia adotada pelas forças de segurança do Maranhão. O caso, que mobiliza Bacabal e toda a região desde o início de janeiro, passou de uma grande operação de buscas físicas para um foco mais concentrado na investigação policial. A decisão foi tomada após semanas de varreduras intensas sem que qualquer vestígio concreto das crianças fosse localizado.
Desde o registro do desaparecimento, equipes especializadas atuaram de forma contínua em áreas de mata fechada, regiões alagadas, margens de rios e locais de difícil acesso no entorno do município. Apesar do empenho, o avanço das buscas não trouxe respostas objetivas. Diante desse cenário, a Secretaria de Segurança Pública do Maranhão optou por redirecionar os esforços, mantendo as equipes em estado de prontidão, mas priorizando a análise de informações, depoimentos e possíveis linhas investigativas.
De acordo com a pasta, a mudança não representa o encerramento das buscas, mas uma adequação técnica à realidade encontrada até o momento. O secretário de Segurança Pública, Maurício Martins, afirmou que a ausência de indícios materiais levou à necessidade de revisar a metodologia aplicada. Segundo ele, sempre que surgirem novos elementos que indiquem locais específicos, as equipes voltarão ao campo de forma imediata, com ações direcionadas.
Mesmo com o novo foco adotado, as buscas no rio Mearim seguem acontecendo. Grupos especializados continuam atuando tanto no leito quanto nas margens do rio, considerado um dos principais pontos de atenção desde o início do caso. Além disso, equipes permanecem mobilizadas para intervenções rápidas em zonas rurais e áreas de mata, caso novas informações indiquem possíveis deslocamentos das crianças.
Um dos fatores determinantes para a reavaliação da estratégia foi o depoimento do primo de 8 anos que estava com Ágatha e Allan no dia em que desapareceram. O menino, que também se perdeu na mata, foi localizado com vida após três dias, apresentando sinais de desidratação e cansaço extremo. Após receber atendimento médico e obter alta hospitalar, ele passou a colaborar diretamente com as autoridades.
Com autorização judicial, a criança acompanhou equipes de busca para indicar os caminhos percorridos com os primos antes da separação. As informações fornecidas ajudaram a reconstruir parte do trajeto feito pelo grupo, esclarecendo pontos importantes sobre os últimos momentos em que os três estiveram juntos. Segundo os investigadores, o relato contribuiu para descartar algumas hipóteses iniciais e reforçar outras linhas de apuração.
Ao longo dos primeiros 20 dias de operação, a força-tarefa envolvida no caso percorreu mais de 200 quilômetros por terra e por água. Mais de mil pessoas participaram das ações, incluindo policiais civis e militares, bombeiros, agentes federais e voluntários da região. O esforço chamou atenção pela dimensão e pela complexidade do terreno, marcado por áreas de mata densa, trilhas irregulares e cursos d’água extensos.
Agora, com a investigação ganhando prioridade, a polícia trabalha na análise minuciosa de depoimentos, cruzamento de dados e verificação de informações que possam ter sido negligenciadas no início. A expectativa das autoridades é que, com um olhar mais analítico e menos disperso, novas pistas possam surgir e ajudar a esclarecer o que de fato aconteceu com Ágatha e Allan.
Enquanto isso, familiares seguem vivendo dias de angústia e incerteza, aguardando respostas. A Secretaria de Segurança Pública reforça que qualquer informação pode ser crucial e pede que a população colabore, evitando a disseminação de boatos ou notícias falsas. O caso segue em aberto e permanece como uma das maiores mobilizações recentes no interior do Maranhão, com desdobramentos acompanhados de perto pela comunidade local e por todo o estado.



