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Morre o empresário Constantino Júnior, ex-CEO da Gol Linhas Aéreas

A morte de Constantino de Oliveira Júnior, aos 57 anos, neste sábado, em São Paulo, encerra um dos capítulos mais marcantes da história recente da aviação comercial brasileira. Internado na capital paulista, o empresário enfrentava há anos um câncer e teve sua trajetória interrompida no momento em que ainda exercia forte influência estratégica sobre o setor aéreo, como fundador e presidente do conselho de administração da Gol Linhas Aéreas.

Reconhecido como o principal responsável por introduzir no Brasil o modelo de “baixo custo, baixa tarifa”, Constantino Júnior mudou de forma definitiva a relação dos brasileiros com o transporte aéreo. Até o início dos anos 2000, voar era sinônimo de exclusividade e preços elevados. A criação da Gol, em 2001, quebrou esse paradigma e abriu caminho para a popularização das viagens aéreas em todo o país, ampliando o acesso e aumentando a concorrência no setor.

Antes de ingressar definitivamente na aviação, Constantino construiu sua base empresarial no transporte terrestre. Entre 1994 e 2000, atuou como diretor da Comporte Participações, grupo tradicional do segmento rodoviário de passageiros. Essa experiência foi decisiva para a visão operacional que aplicaria mais tarde à Gol, apostando em eficiência, padronização de frota e controle rigoroso de custos como pilares do negócio.

Ao fundar a Gol, Constantino assumiu o posto de primeiro CEO da companhia, liderando desde o início das operações até o período de rápida expansão nacional. A empresa passou a disputar mercado com gigantes já estabelecidas, apostando em inovação e em uma comunicação direta com o consumidor. O crescimento acelerado consolidou a Gol como uma das principais companhias aéreas do país em poucos anos, algo considerado improvável por analistas à época.

Em 2004, Constantino passou a integrar o Conselho de Administração da empresa, acumulando a função com a presidência executiva até 2012, quando deixou o comando direto da gestão para assumir exclusivamente a presidência do conselho. A mudança marcou uma nova fase, em que passou a atuar de forma mais estratégica, influenciando decisões de longo prazo e expansões internacionais, mas sem perder protagonismo nas definições centrais da companhia.

Esse protagonismo ganhou uma nova dimensão com a criação do Grupo ABRA, em 2022, holding de aviação que passou a controlar a Gol, no Brasil, e a Avianca, na Colômbia. Como um dos fundadores e membro do conselho, Constantino teve papel essencial na construção dessa estrutura internacional, reforçando sua visão de integração regional e de fortalecimento das companhias latino-americanas diante de um mercado global altamente competitivo.

Fora do mundo corporativo, Constantino Júnior também era conhecido por sua paixão pelo automobilismo. Entusiasta declarado, chegou a competir na Porsche Cup, revelando um perfil que combinava disciplina empresarial com gosto por desafios e alta performance. Esse traço pessoal era frequentemente citado por pessoas próximas como reflexo de sua postura profissional: foco, competitividade e busca constante por inovação.

Ao longo da carreira, recebeu importantes reconhecimentos por sua atuação executiva, incluindo prêmios concedidos por veículos especializados e instituições do setor aéreo internacional. No entanto, segundo relatos recorrentes dentro da própria Gol, sua marca mais duradoura não foi apenas a expansão da empresa, mas o estilo de liderança próximo, simples e humano, mencionado inclusive na nota oficial divulgada pela companhia após sua morte.

É justamente esse legado que permanece como o ponto final — e, ao mesmo tempo, o ponto de partida — de sua história. Constantino Júnior não apenas fundou uma empresa; ele redefiniu um setor inteiro, influenciou gerações de executivos e deixou princípios que continuam guiando decisões estratégicas mesmo após sua partida. O impacto de sua visão segue presente em cada avião que decola com a proposta de tornar o céu mais acessível, lembrando que sua maior obra talvez não tenha sido a Gol em si, mas a transformação estrutural que provocou no Brasil.

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