Descoberta sobre crianças desaparecidas de Bacabal muda tudo

Uma nova reviravolta no caso das crianças desaparecidas em Bacabal, no interior do Maranhão, mudou de forma significativa o rumo das investigações. Após quase vinte dias de buscas intensas, a hipótese inicial de que os irmãos Ágatha Isabelly, de seis anos, e Allan Michael, de quatro, teriam se perdido na mata já não é mais considerada a principal linha de apuração pelas autoridades.
Desde o desaparecimento, as equipes de resgate concentraram esforços em uma ampla área de floresta e no rio próximo à comunidade onde as crianças moravam, no Quilombo São Sebastião dos Pretos. Até agora, porém, nenhum vestígio direto dos dois irmãos foi localizado. O único desfecho positivo ocorreu logo nos primeiros dias, quando Anderson Kauã, de oito anos, primo das crianças, foi encontrado com vida três dias após o desaparecimento, por carroceiros que passavam pela região.
O que chamou a atenção dos investigadores foi a descoberta posterior das roupas de Anderson. Elas foram encontradas dias depois, na floresta, nas proximidades de um casebre. Segundo o próprio menino, foi nesse local que ele viu Ágatha e Allan pela última vez. No entanto, um detalhe importante passou a gerar desconfiança: Anderson afirmou não reconhecer o ponto exato onde suas roupas foram localizadas, dizendo que nunca esteve ali.
Além disso, os cães farejadores utilizados nas buscas não identificaram o cheiro do menino nem nas roupas, nem no local onde elas estavam. Outro fator considerado decisivo foi o estado das peças. De acordo com a perícia, as roupas estavam limpas, algo incompatível com a situação de uma criança que teria permanecido por três dias em uma área de mata fechada.
Diante desses elementos, os investigadores passaram a trabalhar com a possibilidade de que as roupas tenham sido retiradas, lavadas e recolocadas propositalmente em um ponto estratégico da floresta, com a intenção de confundir as buscas. A partir daí, ganhou força a tese de que o desaparecimento de Ágatha Isabelly e Allan Michael não foi acidental.
Outro dado relevante surgiu com o trabalho dos cães farejadores no casebre citado por Anderson. O rastro das crianças foi identificado apenas até a margem do rio, sem continuidade do outro lado, o que levantou a suspeita de que elas possam ter sido levadas por embarcação a partir daquele ponto.
As buscas na floresta e no rio já cobriram cerca de 200 quilômetros de área. A Marinha concluiu as varreduras no curso d’água sem encontrar sinais das crianças, o que enfraqueceu ainda mais a possibilidade de um desfecho relacionado ao rio. Com isso, algumas frentes de busca começaram a ser encerradas. A chamada base dois, montada em uma área específica da mata, está sendo desmontada após a conclusão de que a região já foi completamente averiguada.
Em coletiva recente, o tenente-coronel João Carlos Duque explicou que a ausência de novos indícios amplia as possibilidades de que as crianças estejam em outro local. Segundo ele, o trabalho de campo continua, mas agora com uma força-tarefa reduzida, mantendo apenas a base no quilombo onde os irmãos viviam.
Neste momento, o foco principal passa a ser a investigação conduzida pela Polícia Civil, que será reforçada nos próximos dias. A mãe e o padrasto das crianças voltaram a prestar depoimento, assim como outras pessoas do convívio próximo da família. As autoridades buscam esclarecer possíveis conflitos recentes na comunidade que possam ter relação com o caso.
Enquanto isso, permanece ativo o alerta nacional nas rodovias, com apoio da Polícia Rodoviária Federal. A esperança de encontrar Ágatha Isabelly e Allan Michael com vida ainda mobiliza investigadores e moradores, agora com atenção redobrada às pistas que surgem fora da mata.



