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Facção decreta morte de homem suspeito de matar filho de 3 anos em Manaus

A morte de uma criança de 3 anos em Manaus, registrada na noite de quinta-feira (22), provocou forte comoção e desencadeou uma reação incomum no submundo do crime organizado. De acordo com informações apuradas por investigadores, a facção criminosa Comando Vermelho (CV), que exerce influência em áreas da zona norte da capital amazonense, teria decretado a morte do pai do menino, apontado como principal suspeito do crime. O homem, de 48 anos, está foragido desde o ocorrido.

O caso aconteceu no bairro Cidade de Deus, uma das regiões mais populosas da zona norte de Manaus. Segundo a investigação, o crime ocorreu dentro do apartamento onde a família vivia, após uma discussão entre o suspeito e a companheira. Durante o conflito, o homem teria se isolado no banheiro com a criança, momento em que a situação evoluiu para um episódio de extrema violência, resultando na morte do menino.

A brutalidade do crime levou à mobilização imediata das forças de segurança do Amazonas. A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), instaurou inquérito e iniciou diligências para localizar o suspeito. Paralelamente, equipes da Polícia Militar reforçaram o policiamento na região, diante do risco de ações criminosas motivadas pelo decreto informal imposto pela facção.

Fontes ligadas à investigação informaram que, além da busca oficial conduzida pelas autoridades, integrantes do Comando Vermelho passaram a realizar suas próprias tentativas de localizar o homem. No entendimento da facção, crimes contra crianças são considerados imperdoáveis, o que teria motivado a chamada atuação do chamado “tribunal do crime”, estrutura paralela usada por organizações criminosas para impor punições extrajudiciais.

O delegado responsável pelo caso afirmou que a cena encontrada no local do crime foi uma das mais impactantes já registradas pela unidade especializada, ressaltando o grau de violência envolvido. Apesar disso, a polícia reforça que todas as informações estão sendo tratadas com cautela e que o foco principal permanece na prisão do suspeito, para que ele responda legalmente pelo ocorrido dentro do sistema de Justiça.

A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas informou que uma força-tarefa foi montada para intensificar as buscas. Barreiras policiais, análise de imagens de câmeras de segurança e coleta de depoimentos estão entre as medidas adotadas. A suspeita é de que o homem esteja recebendo ajuda para se esconder, o que amplia a complexidade da operação.

Especialistas em segurança pública avaliam que a reação da facção expõe o grau de controle territorial exercido por organizações criminosas em determinadas regiões do país. Embora tentem impor uma lógica própria de punição, essas ações representam uma ameaça adicional à ordem pública, podendo resultar em novos episódios de violência e dificultar o trabalho das autoridades.

O caso reacendeu debates sobre violência doméstica, saúde mental e a necessidade de políticas públicas mais eficazes de prevenção e acompanhamento de famílias em situação de vulnerabilidade. Conselhos tutelares e órgãos de assistência social reforçaram a importância de denúncias precoces em casos de conflitos familiares, que podem evoluir para tragédias quando não recebem intervenção adequada.

Enquanto as buscas continuam, a polícia pede que qualquer informação sobre o paradeiro do suspeito seja repassada de forma anônima pelos canais oficiais de denúncia. O objetivo é garantir a prisão do homem com segurança e evitar que o caso resulte em novos crimes, seja por ação de facções criminosas ou por confrontos decorrentes da caçada paralela instaurada após o assassinato da criança.

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