Nikolas relata “pé deformado” e dores em meio a caminhada de 230 km

Em meio a um cenário político ainda marcado por debates intensos e memórias recentes de episódios que dividiram o país, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) decidiu transformar o próprio corpo em instrumento de manifestação. Desde a última segunda-feira, ele está percorrendo cerca de 230 quilômetros a pé, saindo de Paracatu, no interior de Minas Gerais, com destino final em Brasília. A iniciativa foi batizada de “Caminhada da Liberdade” e tem como objetivo declarar apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a outros envolvidos nos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023.
A caminhada não tem sido simples. Na quinta-feira (22/1), o grupo deixou um posto de gasolina em Cristalina, no estado de Goiás, por volta das 9h40 da manhã. Dali, seguiram em direção a Luziânia, em um trecho de aproximadamente 40 quilômetros. O ponto de partida fica a cerca de 130 quilômetros da capital federal, o que aumenta a expectativa para a chegada prevista para o domingo (25/1), quando deve ocorrer um ato público em Brasília.
Durante o percurso, Nikolas conversou com a imprensa e falou abertamente sobre as dificuldades físicas enfrentadas ao longo dos dias. Segundo ele, o cansaço já começa a dar sinais mais claros, especialmente nos pés e nos joelhos. “Minha saúde está de boa, meu pé que realmente, sempre no final, chega um pouco deformado do que o original, algumas dores no joelho, mas a dor de não fazer nada seria muito maior”, afirmou, em tom firme, enquanto seguia cercado por apoiadores.
A fala do deputado resume bem o espírito da mobilização. Para ele, o esforço físico representa mais do que um desafio pessoal: trata-se de um gesto simbólico. A caminhada, segundo suas próprias palavras, é um protesto contra o que considera “prisões injustas” relacionadas aos eventos de janeiro de 2023 e uma forma de denunciar o que chama de perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A proposta é chamar atenção não apenas pelo discurso, mas pela persistência no trajeto.
Ao longo do caminho, Nikolas tem sido acompanhado por aliados políticos, simpatizantes e curiosos. Em algumas cidades, moradores saem às portas para observar a passagem do grupo; em outras, apoiadores se juntam por alguns quilômetros, oferecendo água, palavras de incentivo e registros para as redes sociais. O clima varia entre momentos de silêncio, reflexão e conversas animadas, dependendo do trecho e do cansaço acumulado.
Nos bastidores, a iniciativa também gera reações distintas. Enquanto apoiadores veem na caminhada um exemplo de coerência e compromisso com as próprias convicções, críticos classificam o ato como uma estratégia de visibilidade política. Ainda assim, o deputado segue sem recuar, reforçando que o objetivo principal é manter o debate vivo e mostrar que, na visão dele, ainda há questões a serem esclarecidas no cenário político nacional.
Com a chegada a Brasília se aproximando, cresce a expectativa em torno do ato previsto para o domingo. Independentemente das avaliações políticas, a caminhada já se consolidou como um dos episódios mais comentados da semana, unindo esforço físico, simbolismo e discurso ideológico em um momento de forte polarização no país.



