UTI do horror: técnico de enfermagem revela oque era sua motivação para matar pacientes

A apuração em curso sobre mortes ocorridas na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga, tem chamado a atenção não apenas pela gravidade do caso, mas também pela forma como tudo veio à tona. Diferente do que costuma acontecer em investigações desse tipo, o ponto de partida não foi uma denúncia externa, e sim um alerta interno da própria instituição de saúde. Ao perceber um padrão incomum de óbitos, a direção do hospital decidiu agir antes que o problema se tornasse ainda maior.
A partir dessa desconfiança, foi criado um comitê interno para analisar prontuários, escalas de plantão e registros de atendimento. Com o avanço dessa avaliação, surgiram indícios que não podiam ser ignorados. Funcionários foram desligados, documentos foram separados e, diante do material reunido, a direção optou por procurar a Polícia Civil do Distrito Federal. Essa postura colaborativa foi decisiva para que o caso avançasse com rapidez.
Segundo o delegado Maurício Icosili, responsável pela investigação, o apoio do hospital permitiu que a polícia tivesse acesso a informações organizadas e relevantes logo no início. Em menos de um mês, as diligências resultaram no cumprimento dos primeiros mandados de prisão temporária, realizados no dia 12 de janeiro. O foco inicial do inquérito está em três mortes específicas, todas ocorridas na UTI, dentro de um intervalo de tempo considerado suspeito pelos investigadores.
O principal investigado é o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos. De acordo com a apuração, ele teria se aproveitado de falhas na rotina do setor para acessar sistemas médicos e obter medicamentos sem autorização adequada. As investigações indicam que essas ações aconteciam em momentos de menor circulação de profissionais, o que dificultava a percepção imediata do que estava ocorrendo nos leitos.
Além dele, duas técnicas de enfermagem, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camille Alves da Silva, também foram presas. A polícia afirma que imagens de câmeras internas mostram a atuação conjunta do grupo, desde a preparação do material até a presença nos quartos dos pacientes. As cenas analisadas reforçaram a suspeita de que não se tratava de atos isolados, mas de uma dinâmica organizada, ainda que restrita a poucos envolvidos.
Durante o depoimento, Marcos Vinícius apresentou versões diferentes ao longo do interrogatório. Inicialmente negou qualquer participação, mas acabou confessando após ser confrontado com provas visuais. Questionado sobre o motivo das ações, mencionou fatores como estresse e uma suposta intenção de reduzir o sofrimento dos pacientes, explicação que, segundo a polícia, não condiz com os quadros clínicos analisados. Até o momento, não há indícios de ganho financeiro ou envolvimento externo.
As vítimas identificadas até agora são João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor da Caesb; Marcos Moreira, de 33 anos, servidor dos Correios; e uma professora aposentada. A Polícia Civil segue aguardando laudos periciais e a análise de celulares e computadores apreendidos. Com base nesses dados, novas linhas de investigação podem ser abertas, inclusive para verificar se há outros casos semelhantes que ainda não foram detectados. Enquanto isso, o episódio reacende o debate sobre protocolos de segurança, fiscalização interna e a importância de mecanismos eficazes de controle dentro de unidades hospitalares.



