Sem vestígios: 5 mistérios do caso das crianças desaparecidas no Maranhão

O desaparecimento de duas crianças na zona rural de Bacabal, no interior do Maranhão, segue como um daqueles casos que desafiam explicações simples. Já se passaram mais de duas semanas desde que Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, saíram para brincar e nunca mais voltaram. Desde então, a rotina da comunidade foi quebrada, as buscas se intensificaram e as perguntas continuam sem resposta.
O que mais chama atenção logo de início é a ausência quase total de vestígios. Não foram encontradas roupas, brinquedos, pegadas contínuas ou qualquer objeto que indicasse um trajeto claro. Em áreas de mata, mesmo com chuva e terreno irregular, costuma sobrar algum sinal. Nesse caso, não. É como se as crianças tivessem simplesmente desaparecido no meio do caminho.
Outro ponto que intriga os investigadores é a chamada “casa caída”, uma antiga estrutura de madeira no meio da mata. Cães farejadores indicaram que as crianças passaram pelo local, mas os rastros se encerram ali. Não há trilhas apontando para onde elas teriam seguido depois, tampouco sinais de que alguém tenha permanecido no espaço por muito tempo. Nenhum resquício de alimento, água ou presença adulta foi identificado.
O relato do primo, Anderson Kauã, de 8 anos, acaba sendo ao mesmo tempo essencial e limitado. Ele desapareceu junto com os irmãos e foi encontrado três dias depois, a cerca de quatro quilômetros do ponto inicial. Estava debilitado, sem roupas, mas sem sinais de violência. Anderson consegue reconhecer alguns lugares por onde passou, porém não consegue explicar quando ocorreu a separação nem por que apenas ele conseguiu sair da mata. Especialistas avaliam que o trauma pode ter afetado a memória do menino.
Também causa estranhamento o fato de as crianças terem entrado na mata mesmo após o alerta do tio, José Henrique Cardoso Reis. Segundo a família, a área não era desconhecida. As crianças costumavam brincar ali e conheciam caminhos próximos. O que as levou a avançar mais do que o habitual, e como se perderam, ainda não está claro.
Até o momento, não há indícios de crime. Nenhum suspeito, nenhuma testemunha confiável, nenhuma prova material que aponte para a participação de terceiros. A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão trata o caso, de forma preliminar, como desaparecimento, sem descartar hipóteses, mas sem confirmar nenhuma linha específica.
Desde o dia 4 de janeiro, as buscas mobilizam uma força-tarefa impressionante. Corpo de Bombeiros, policiais de outros estados, Exército, Marinha e mais de 500 voluntários atuam por terra e por água. Drones, helicópteros, cães farejadores e até sonar de varredura lateral vêm sendo usados em rios e áreas alagadas. A possibilidade de afogamento chegou a ser considerada, mas não surgiram evidências que a confirmem.
O governador Carlos Brandão afirmou que a investigação segue de forma discreta e criteriosa. Segundo ele, a área já vasculhada ultrapassa 3.200 km². Ainda assim, o silêncio da mata e a falta de pistas concretas aumentam a angústia de familiares e moradores.
Com o passar dos dias, o caso ganha contornos cada vez mais enigmáticos. A “casa caída” permanece como a única pista material consistente, mas não explica o que aconteceu depois. Se as crianças tentaram um atalho, como sugeriu Anderson, se retornaram, ou se algo inesperado ocorreu, ninguém sabe. Enquanto isso, Bacabal segue em vigília, entre a esperança e a apreensão, aguardando respostas que insistem em não aparecer.



