Primo de crianças desaparecidas ajuda nas buscas após receber alta do hospital

O desaparecimento de duas crianças em Bacabal, no interior do Maranhão, segue cercado de apreensão, mobilização e expectativa por respostas. Três semanas após o sumiço de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, familiares, moradores e autoridades continuam sem qualquer pista concreta sobre o paradeiro dos irmãos. Nos últimos dias, porém, um novo desdobramento trouxe novamente o caso ao centro das atenções: o primo das crianças, um menino de 8 anos, recebeu alta hospitalar e passou a colaborar diretamente com as buscas.
O garoto deixou o Hospital Geral de Bacabal na manhã desta terça-feira, após permanecer internado por 14 dias sob cuidados médicos. Desde o início do caso, ele vinha sendo acompanhado por equipes de saúde, tanto para avaliações clínicas quanto para suporte psicológico. A alta médica permitiu que o menino, com autorização da Justiça e sob acompanhamento adequado, participasse de uma etapa considerada importante pelas autoridades na tentativa de reconstruir os últimos momentos antes do desaparecimento dos primos.
De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão, o menino acompanhou policiais em uma visita a pontos estratégicos da região. Durante o percurso, ele indicou o caminho que teria feito ao lado de Ágatha e Allan até uma cabana abandonada, conhecida localmente como “casa caída”. O local fica a cerca de 50 metros do rio Mearim e já havia sido mencionado nas investigações. A informação reforçou a relevância da área, que passou a receber atenção redobrada das equipes envolvidas.
O menino foi localizado no dia 7 de janeiro, três dias após o desaparecimento das crianças, por carroceiros que transitavam por uma estrada vicinal em um povoado de Bacabal. Desde então, ele permaneceu sob acompanhamento constante, antes de prestar novos esclarecimentos às autoridades. Investigadores tratam o depoimento com cautela, levando em consideração a idade da criança e o impacto emocional da situação, mas reconhecem que suas informações podem contribuir para o avanço do inquérito.
O governador do Maranhão, Carlos Brandão, se manifestou sobre o caso e garantiu que o menino continuará recebendo apoio psicológico especializado. Segundo ele, o Estado busca equilibrar a necessidade de avançar nas investigações com a proteção emocional da criança. Brandão afirmou ainda que qualquer colaboração do menino ocorre de forma responsável, respeitando limites e protocolos, e que todas as informações obtidas estão sendo analisadas tecnicamente pelas forças de segurança.
As buscas permanecem concentradas em áreas onde cães farejadores indicaram possíveis vestígios da presença das crianças. Um dos principais focos é um trecho do rio Mearim, onde militares da Marinha do Brasil atuam com o auxílio de equipamentos subaquáticos de alta precisão, como o side scan sonar. A tecnologia permite uma varredura detalhada de aproximadamente três quilômetros do leito do rio, auxiliando as equipes a identificar pontos que mereçam uma verificação mais minuciosa.
Paralelamente, a investigação segue em várias frentes. Agentes da Secretaria de Segurança Pública estiveram em uma vila de pescadores no povoado São Raimundo, onde moradores foram ouvidos como testemunhas, sem indícios de envolvimento no caso. Uma comissão formada por delegados e investigadores da Polícia Civil do Maranhão conduz o inquérito, enquanto a força-tarefa mantém buscas em áreas de mata, no entorno do rio e em comunidades próximas, como o quilombo São Sebastião dos Pretos. O caso continua em andamento, e as autoridades afirmam que novas informações serão divulgadas à medida que os trabalhos avancem, mantendo viva a esperança de esclarecimento para as famílias.



