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Filho que tirou a vida da mãe já quis antes por causa de “barulhos”

O caso que abalou moradores do Guará II, no Distrito Federal, nesta semana, ainda está longe de ser compreendido em toda a sua complexidade. Envolve uma família comum, uma rotina aparentemente tranquila e um desfecho que ninguém imaginava. Na noite de terça-feira (20/1), Maria Elenice de Queiroz, de 61 anos, perdeu a vida dentro do próprio apartamento, em uma situação que chocou vizinhos, amigos e parentes.

O autor do ato foi o próprio filho, Vinícius de Queiroz, estudante de economia da Universidade de Brasília (UnB). Preso em flagrante, ele confessou o ocorrido pouco tempo depois, durante interrogatório na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam). Segundo relato às autoridades, o jovem afirmou que já havia sentido, em outras ocasiões, uma vontade súbita de ferir alguém por causa de ruídos que o incomodavam. Disse, no entanto, que até aquele dia conseguia se controlar.

Durante o depoimento, Vinícius chamou a atenção pela forma como descreveu o que aconteceu. Sem demonstrar arrependimento aparente, afirmou que tudo ocorreu por “impulso”. Relatou que ele e a mãe tinham personalidades diferentes e que a voz mais alta dela o incomodava. Em um trecho que causou estranhamento aos investigadores, contou que já havia sonhado com a cena anteriormente, como se fosse algo distante, irreal, até se tornar concreto.

A prisão foi convertida em preventiva durante a audiência de custódia realizada na quarta-feira (21/1). O entendimento da Justiça foi de que o caso exige aprofundamento nas investigações e cautela, tanto pela gravidade quanto pelo contexto familiar e psicológico envolvido.

De acordo com a Polícia Militar, Vinícius foi encontrado sentado no sofá do apartamento da família, no Polo de Modas, na QE 40 do Guará II. Os agentes relataram que ele aparentava frieza no momento da abordagem. Maria Elenice chegou a ser socorrida, mas, segundo o Corpo de Bombeiros Militar do DF, não resistiu.

Conhecida na região, Maria Elenice era empreendedora e mantinha um espaço ligado à área de bem-estar e nutrição. Pessoas próximas a descrevem como dedicada ao trabalho e à família. Para quem convivia com ela, a notícia foi recebida com incredulidade.

A avó de Vinícius, que estava no apartamento e preferiu não se identificar, trouxe um relato que adiciona outra camada à história. Segundo ela, o neto enfrentava um quadro de depressão profunda e fazia uso irregular de medicamentos. “Era uma pessoa normal, nunca teve problemas com ninguém”, afirmou, ainda visivelmente abalada. Ela contou que, naquele dia, tudo parecia seguir o curso habitual: ele saiu do quarto, almoçou e não demonstrou comportamento diferente.

Os últimos momentos antes do ocorrido também foram descritos pela avó. Maria Elenice chegou em casa por volta das 20h30 e foi ao quarto falar com o filho, como fazia de costume. Pouco depois, vieram os gritos. No primeiro instante, ela pensou que fossem de crianças do prédio. Minutos depois, a realidade se impôs de forma dura e inesperada.

O caso segue sob investigação da Deam, sendo tratado como feminicídio. Mais do que números ou estatísticas, a situação levanta debates urgentes sobre saúde mental, acompanhamento médico e os sinais silenciosos que, muitas vezes, passam despercebidos até que seja tarde demais.

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